Ninguém me disse que isto ia ser tão… bom!!

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Já nem sei bem em que é que hei-de pensar para me distrair quando não estou junto às minhas meninas. A rotina não pára, tal como a vida, que insiste em mostrar-me, dia após dia, a sua inquantificável e incomparável capacidade de ser surpreendente nas coisas mais pequenas e terrenas, nas intermitentes e inexplicáveis mas sempre alusivas composições imagéticas que o pensamento insiste em espetar-me diante do vulcão de palavras do meu cérebro. Aquele magnífico castelo onde estão armazenadas toda e cada uma das palavras que uso só para pensar, atenção que não é desse que são disparadas as palavras que uso para falar, não se faça confusão. Contudo não há-de ter vida fácil, este último, uma vez que a velocidade a que penso e falo para comigo mesmo chega a ser vertiginosa. O meu pensamento costuma ser (regra geral) tudo menos cúmplice da procrastinação.

Por estes dias a cabeça fervilha e o coração também.
Aproximam-se em passos largueirões e desmedidos os últimos dias da solteirice matrimonial.
Casámos em Julho de 2015 e quando tiver passado exactamente 1 ano dessa data, estaremos já de filhota no colo. (Isto precipita a inevitabilidade do tempo, da realidade! Caramba que falta tão pouco) Sou-vos (como sempre ou quase sempre) sincero. Começam a ser dias atrofiantes. Atrofiantes na medida em que não sei sequer o que é que hei-de pensar sobre os mesmos. São dias de incerteza. De nervos. De medo. De ansiedade. De expectativa e avaliações constantes ao que são as coisas que sinto. Sobretudo se estiver então a contar com os dias em que venho trabalhar e deixo de ter a Ana debaixo de olho, ao alcance de uma palavra, falada, com o som que têm as mais lindas palavras desta vida e que insisto teimosamente em repetir à minha linda mulher, aquela que afortunadamente escolhi para o ser e que não me deixou pendurado e me escolheu para a acompanhar nesta aventura! 

A pobrezinha anda cansada. Anda mesmo. Acorda já cansada fruto do mal dormir que se tem repetido noite, após noite, após noite, assim, todos os dias. Vive os dias com o peso desse mesmo cansaço. Mas que não se pense que vive mal os dias, que está infeliz, ou deprimida! Bem longe disso…! 

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O problema são de facto os (vários) quilos a mais; a barriga que está já assustadoramente enormeeeeee; o desconforto tremendo que lhe provoca a falta de mobilidade inerente à condição física: grávida de 8 meses e meio (quase nas 36 semanas).
Agora começaram a inchar-se-lhe as mãos e a aliança, essa, lá vai dormindo abandonada e entristecida junto à mesa de cabeceira…
A Ana, coitadinha, não acha muita piada à brincadeira (perguntou-me se eu ficava triste… se não é a coisa mais doce) mas, felizmente, parece estar a entrar numa espécie de “transe” quase permanente, de abstracção, de conseguir relevar tudo aquilo que não lhe interessa, que não lhe diz respeito, que não afecta de modo algum o seu quotidiano ou o seu futuro mais próximo. Neste momento, a impressão que colho é a de que a Ana vive uma fase de colossal ligação à bebé, de contacto constante, de partilha directa de tudo o que são emoções, expectativas, frustrações; de satisfação permanente das necessidades mais primárias de cada uma e digo-vos, caríssimos, é uma coisa tão mas tão bonita e digna de se ver que chega a embriagar. E é por isso mesmo que escrevo e sei que tenho de o continuar a fazer pela vida fora. Porque nunca me contaram nem nunca me disseram que isto de viver e de preparar a chegada de um bebé podia ser tão verdadeira e genuinamente perfeito. Não sei se alguma vez voltarei a sentir isto. Possivelmente não. Por razões óbvias… entre as quais a mais óbvia de todas elas… porque não volta a ser a primeira vez e talvez por isso mesmo solto as minhas mãos e deixo que as mesmas se envolvam intimamente com as teclas e escrevam de forma livre, na vertigem daquilo que o meu peito sente e que o meu cérebro manda. Risco e muito! Mentira, não risco claro, mas apago várias vezes, apago para depois voltar a escrever. Limo as frases até à exaustão com a certeza de que é importante escrever exactamente aquilo que quero escrever e da forma mais simples e clara que me é possível fazê-lo.

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A vontade de contar, de partilhar, de qualificar é tanta e tão grande quanto o são o volume de sensações que me vão atravessando e para as quais não parece haver freio possível, é de facto impossível de parar e refrear a emoção que por mim sobe e se estende, invadindo-me e ocupando-me como invade e ocupa um exército opressor. 

É amedrontado que aqui venho, para vos dizer que, embora saiba que tudo isto é natural, que o medo mais não é do que a manifestação da vontade de não falhar, embora saiba que vou falhar, que vou errar, que vou agir mal, dizer mal, pensar mal e fazer pior. Mas também sei que aprendo com rapidez, que sou insaciável no que diz respeito a conhecimento e à aprendizagem por si só, que gosto de saber mais, sempre mais, sobre tanta coisa, sobre quase tudo.

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Como pai, como futuro pai, a minha mente tem vagueado por sítios bem diferentes dos que têm servido de passeio para a Ana.

Dou por mim a permitir-me permitir ao pensamento que viaje por sítios que sonho poder mostrar-lhe, sítios meus, sítios nossos, sítios que sei que vai adorar, sítios maravilhosos e que me trazem paz à alma, alegria ao coração e harmonia à existência. Ando a dormir pouco em função daquilo que são as atormentadas noites da Ana. Ela acorda vezes sem conta para se mexer, para se virar, para se remexer e tornar a revirar na busca inglória por uma posição minimamente confortável que lhe permita fechar os olhos durante mais uns minutos até que volte a ser obrigada a acordar… desta vez, com toda a certeza, para ir novamente à casa de banho. 

Para além disso tudo ainda está constantemente a ser pontapeada, esmurrada, empurrada, incomodada, pobre coitada…
Não são só rosas, claro que não, nem tão pouco o serão, mas é a mais bela fase na vida de um casal. Só pode ser, pois então. Não? 

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