O papá anda preocupado!

Se anda.
Confesso que começo a sentir-me apreensivo de cada vez que saio de casa para ir trabalhar e tenho de deixar a Ana aqui, sozinha, a braços com a hercúlea tarefa de se amanhar com aquela “barrigona” de tamanho verdadeiramente incrível.

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Não é nada fácil, digo-vos já. E não é fácil por motivos tão simples, mas ao mesmo tempo tão difíceis de explicar a quem (ainda) não os vive(u).
Essa é de resto a razão pela qual o tento fazer por esta via.
Mas dizia-vos que a sensação com que fico quando saio de casa é a de que a minha mulher não está lá muito bem. Sinto sempre que ela vai precisar de mim a qualquer momento e eu não vou estar em casa para a poder ajudar. (Não, não é presunção, é sensação, simples.) 
Por esta altura já se devem estar a rir e a pensar: “lá vem o exagerado”. Devem estar a pensar que não tenho motivos para estar preocupado, que faz tudo parte do processo, que vai ser bem pior quando… mas caramba… isto custa! Podem ter a certeza que custa e não é pouco. Custa mesmo.
O fechar da porta de casa antes de me precipitar para a porta das escadas do prédio é sempre acompanhado pela frase:
– Já sabes… se precisares de alguma coisa que seja… liga, sim?
– Siiiiimmmmm…! (pobre coitada, já nem ela me pode ouvir com tanta recomendação)

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E lá vou eu, desassossegado, inquieto, preocupado com o bem estar da pessoa que mais amo nesta minha existência, pronto para passar mais um dia com os olhos no telefone, sempre à espera de um telefonema, de uma mensagem, seja no telefone, no Facebook, no WhatsApp, eu sei lá senhores…
Só sei que ando preocupado. 
Já não sou um tipo particularmente calmo e sossegado por natureza, o que também não ajuda nesta situação. Tenho alguma dificuldade em estar quieto, em não me mexer, em estar sentado à mesa e não começar a abanar as pernas debaixo da mesma, em estar a trabalhar e não estar constantemente a mexer-me na cadeira. Sou frenético, sim, é isso, como tão bem me descreve o meu bomdrasto.
Mas neste caso é a fundação da minha vida que está em mutação radical, e isso, caríssimos, isso tem mesmo muito que se lhe diga, oh se tem. 
Está tudo a mudar e é complicado assimilar as perspectivas da mudança, sobretudo se não carregas uma bola de pilates na barriga como a tua mulher. É muito complicado sentir a fragilidade da pessoa que amamos e sermos “forçados” a deixá-la assim, sozinha, presa na incapacidade física da “coisa” (provocada pela dimensão da bola de pilates).

Durante anos, fruto da minha actividade profissional, andei com o telefone sempre sem som, só com o modo de vibração ligado (atenção à piadola fácil…). Agora, até isso mudou. Som no telefone. Volume no máximo. Telefone Fora do bolso. E todos os sensores de alarme bem activos. 
A Ana tem a sorte de ter uns papis maravilhosos que vêm frequentemente cá a casa, de surpresa, para lhe fazerem companhia, seja ao lanche, ao jantar, ou simplesmente para estarem com ela. Confesso que isso me deixa bastante mais sossegado.

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Mas uma alma perturbada e preocupada raramente conhece descanso!
Invadem-me o pensamento todo o tipo de acidentes possíveis:
Vai tropeçar na rua, vai cair do escadote ou da cadeira a que gosta de subir para arrumar as coisas mais difíceis que existem cá em casa (detergentes, lençóis, por aí fora) vai-se esbardalhar nas escadas (porque quis ir à arrecadação arrumar a roupa de inverno, coisa que tinha impreterivelmente de ser feita quando eu não estou em casa), vai magoar-se na barriga porque tinha de ir estender a roupa toda e não chega à terceira corda, vai ser atropelada pela tipa que anda a lavar o chão no Continente e que nos persegue há anos com aquele carrinho do demónio… enfim, uma miríade de possíveis “tragédias neoclássicas” que podem suceder a qualquer mulher grávida de 9 meses. 

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Mas pronto. Ainda não aconteceu nada de grave. Tudo isto não passam de preocupações de marido cuidadoso, de futuro pai receoso, de homem cauteloso que tenta apenas proteger o maior tesouro que tem na vida, para além da benção que é a própria existência. 

Já não falta tanto assim, Martim. Tem calma homem que vai correr tudo lindamente. Mas, meus amigos, sou um seguidor acérrimo das leis da vida de Fernando Pessoa e, como disse o mestre (vestido com o casaco de Ricardo Reis):

Para ser grande, sê inteiro.”

Não faz sentido ser outra coisa que não isto, ser de outra forma que não esta, viver de outro jeito que não este. 
Filha, o teu pai é assim mesmo. Protege com a própria vida aquilo que ama e as coisas em que acredita. Por isso, não esperes nada menos do que isso. 
Enquanto não nasces vou-me entretendo a fazer-te festinhas e a fazer a única coisa que a tua mãe não consegue fazer contigo, ouvir-te (só se fosse contorcionista chinesa)! Haja alguma vantagem… E estou bastante contente porque toda a gente diz que as meninas adoram os seus papás…
É caso para dizer: 

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