O que é que eu faço à minha vida?

Não sei como vou dar a volta ao “problema” que hoje aqui vos trago, mas desenganem-se desde já os que estiverem já a pensar que… estou louco, furioso, de cabeça perdida, a arrepender-me de tudo a cada dia que passa e cheio de vontade de ir ali comprar tabaco e nunca mais voltar! Not! Não vai acontecer! =)
A razão que me leva a escrever este texto é uma e somente uma: Estou de cabeça perdida com a roupa para meninas recém-nascidas e com as lojas que as vendem!! Ah, e é melhor segurarem-me antes que cometa uma loucura!

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E como vivemos numa (suposta) democracia, este pai resolveu então escrever-vos, uma vez que me sinto tremendamente indignado e revoltado com aquilo que se está a passar com a minha vida, e que ainda agora começou a atazanar-me a existência…

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É que é preciso ter muita “falta de sensibilidade” para não cair nas “garras demoníacas e tentadoras” com que vocês nos envolvem e nos “sugam” para dentro dos vossos estabelecimentos comerciais perfeitamente decorados, onde tudo é harmonia, onde tudo é delico-doce, onde até chateia de tão lindo, maravilhoso, amoroso… raios que apetece comprar tudo!!!  

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Sempre quis ter uma menina, ser pai de uma menina. Não me perguntem porquê, que também não sei… Talvez esteja relacionado com o facto de a minha mãe sempre ter sonhado ter 1 menina e, em vez disso, calharam-lhe na rifa dois estafermos abrutalhados, com barba, cabelo curto (um deles já está careca) e voz grossa. Lá se foram os sonhos dos folhos, dos cueiros, dos laçarotes, das fitas e ganchinhos, dos vestidos e sapatinhos de fivela, saias, vestidinhos, sandálias, ganchos e mais ganchinhos… e… ahhhhhhhhhh!!
Deus meu… ajuda-me por favor! Não me abandones nesta hora!  
Assim sendo, talvez mesmo por osmose e porque sou um filho maravilhoso, com muita vontade de fazer a minha mãe feliz, comecei a desejar ardentemente ter 1 menina! E a vida fez-me a vontade! =)

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Mas voltando ao essencial… Caríssimos e caríssimas. Confessem lá que vos deve dar-vos um gozo tremendo decorar as montras, idealizar os espaços, receber os cabides e todas as roupinhas em tons de creme, cor de rosinha bebé, azul cuequinha, cor de laranjas e amarelinhos, os sapatinhos, as meias, as toucas, os folhos e a fofice aos molhos… Por Deus! Com que intuito? De fazer a nossa vida mais feliz e a carteira mais miserável. Está visto. 
E digo mais, é que se julgam que isto não traz problemas à vida de uma pessoa que já tem tanto com que se preocupar, estão muito enganados!! 

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Senão vejamos: Qualquer pai quer ver a sua filha bem vestida, certo? Qualquer um de nós sonha em ter em casa (e poder exibi-la ao mundo) uma criança linda, uma princesa, uma menina tão linda como as filhas dos reis e das rainhas desta Europa, uma espécie de anjo com asas que só peca por fazer cocós monstruosos e mal cheirosos, por ter macacos no nariz e por gostar de fazer do prato da sopa uma espécie de Frisbee, ou seja, por ter uma filha linda de morrer, com algumas características de ser humano. Esse é o sonho de qualquer pai, muito mais agradável do que ter uma criança remelosa, sempre vestida de fato de treino, cheia de ranho seco no espaço que dista entre o nariz e a boca, com terra nas unhas, com o cabelo a fazer lembrar um esfregão de arame, com manchas de sujidade na cara, possivelmente oriunda dos bairros mais difíceis da Roménia, Bulgária ou Hungria, que com 6 anos já sabe de cor os turnos dos seguranças dos supermercados da região… (compreenderão o exagero… mas serve apenas para antagonizar a coisa).

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É um sonho, uma aspiração legítima e um caminho que se percorre à custa de muitos euros e com a ajuda da Mustela, da Chicco, da Uriage, da Zippy, da Gama Rústica, da Algodão Doce, da Borboleta, até da Primark… entre tantas, tantas, mas tantas outras… i could go on forever baby.
Talvez seja mesmo o único homem a pensar nisto, mas estou certo que tenho o apoio e a solidariedade das mamãs, das tias, das avós, das madrinhas… certo? Conto convosco!!
Tenho a certeza absoluta que elas e só elas entendem perfeitamente este drama que me tem feito pensar seriamente em enveredar pelo mundo do crime e tornar-me assaltante de lojas de roupa para crianças.
Seria sempre um ladrão diferente, que só se dedicaria ao roubo de roupa, deixando o dinheiro no seu sítio, e que poderia depois devolver quando já não lhe servissem, lavadinhas, engomadas e com cheirinho a amaciador só para roupas de bebé.
Se isto do Jornalismo e da Escrita falhar por completo… tenham cuidado com este jovem empreendedor… =)

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Mas voltando ao tema. É-me muito difícil entrar nessas lojas. Mesmo!
Começo imediatamente a falar em voz alta e a dizer coisas como:
– “Pronto… Começa… Se eu aguento isto… Oh Meu Deus… Ana, olha aqui!”
– Tu és impossível! – Diz-me ela sempre de sorriso nos lábios.
Quem tem uma mulher assim tem tudo!  
Confesso-vos que já pensei inclusivamente em enviar emails ou mensagens de Facebook para as mesmas lojas com a minha fotografia e explicar-lhes o que aqui vos conto, pedindo-lhes que não me deixem entrar, que coloquem a minha cara nas montras para me sentir de imediato forçado a dar meia volta nos calcanhares e voltar de fininho para o carro… mas… se o fizesse… estaria tão somente a prejudicar a minha princesa… Visto que vocês… seus “sanguinários”… se alimentam da fraqueza do todo e não apenas da “miséria” da parte. Por isso… ficaria com uma criança mal vestida… infeliz… e com sérias probabilidades de um dia não me reconhecer como pai e de dizer que que teve pena de mim, certo dia, quando me encontrou na rua a vaguear.

Assim, e como parece que este texto serviu de catarse… termino-o assumindo-me completamente rendido às evidências e dizendo-vos que dou graças aos céus pela vossa existência… senhores e senhoras das marcas, das lojas, designers e fabricantes… e louvo-vos a vida dizendo-vos que é uma sorte esta a que tenho de poder contar convosco para me encherem os olhos de esperanças e esvaziar a carteiras de poupanças.
Afinal de contas, só se vive uma vez, certo? E estes momentos não se repetem. São únicos. Por isso… a menos que fique desempregado nos próximos tempos (e aí sim enverede pela vida de criminoso e assaltante de lojas de roupa para crianças)… podem continuar a contar com as minhas visitas periódicas aos vossos magníficos e encantadores estabelecimentos. Tudo em nome do bem estar e da felicidade da minha filha e do arregalo dos meus babados e enfeitiçados olhos! E ainda faço publicidade no Instagram e no Facebook… querem mais? É só dizer!
Mas terá de ficar para outra altura, sim? É que agora, se me dão licença, tenho mais que fazer.  

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