Por onde começar?

Não sei. Já passaram 20 dias do nascimento da pequenina e eu continuo sem conseguir colocar em palavras tudo aquilo que aconteceu e que tem acontecido desde então. O Martim já falou aqui mais ou menos do que se passou naquele dia 21 de Maio, mas e eu? Que dizer? Como dizer? Não sei, mas vou tentar.
Bom, talvez deva começar por vos explicar que no dia anterior, à noite, pelas 21h30, depois de um belo jantar a dois, pedi ao meu marido para irmos andar um pouco a pé e comer um gelado à Emanha (no Parque das Nações) – acrescentar apenas que estava desde as 11h00 com contracções de 10 em 10 minutos. Sim, desde as 11 da manhã que a minha vida foi basicamente isto… bola de pilates, respirações, bola de pilates, percorrer a casa de uma ponta à outra, mais respirações, sofá, bola de pilates… e pouco mais, como podem comprovar pela fotografia abaixo 🙂

De volta ao gelado… o Martim hesitou, pela primeira vez nestes meses todos, hesitou. Mas eu queria tanto que lá o convenci! 
E lá fomos. “Vai devagar nas lombas”, pedia-lhe eu. As contracções não davam tréguas, mas aquele gelado de menta… soube-me pela vida!! 
Ainda no Parque das Nações, as contracções começaram a ser menos espaçadas – de 7 em 7 minutos, de 8 em 8, coisa irregular e difícil de medir, mas claramente menos espaçadas. Decidimos regressar a casa. 
Tomei um banho quente, já com muitas dores mesmo. Vesti a camisa de dormir e sentei-me no sofá, na esperança de ver a novela dessa noite… 
Qual novela, qual quê? 
– “Amor, quanto tempo passou desde a última?”
– “5 minutos.”

Silêncio na sala.

Decidimos deixar passar uma hora e meia para confirmar que as contracções se mantinham de 5 em 5 minutos, com duração de 1 minuto cada, tal como nos ensinaram no curso de preparação para o parto.
Já não tinha posição no sofá. Uma hora e meia depois voltei a vestir-me, já com bastantes dificuldades. Malas à porta desde manhã, que pai/marido prevenido vale por 2 🙂

– “Temos tudo?”
– “Temos.”
Seguimos para o hospital. Com calma, disse eu. “Temos tempo”, pensava para comigo. Fomos rapidamente atendidos na urgência do Santa Maria.
Ninguém na sala de espera. As dores, ai as dores!!!! Fui observada primeiro pela enfermeira. Eram quase 2 da manhã com isto tudo.
– “Temos 2 dedos de dilatação, mas o colo ainda não está como queremos… acha que pode ir dar uma voltinha ou ir para casa e regressar pelas 6h00? Moram muito longe?”
– “Podemos ir para casa, sim. Moramos a 10 minutos, tranquilo.”

Veio entretanto a médica. CTG e nova observação. Um pacote de leite e bolachas Maria para ver se a pequenina se mexia mais, que estava bem quentinha e aconchegada e não parecia com muita vontade de se mostrar. Mal sabia ela…
– “Ok. Vocês são pessoas orientadas, voltem daqui por umas 3 ou 4 horinhas, porque em casa está melhor do que se a internarmos já. Tome um banho quente e tente dormir um bocadinho.”
Concordo!
Mas…banho quente? Mais um? Ok. Vamos a isso.
De regresso a casa… como vos dizer? Saí de gatas do carro já. E de gatas entrei em casa. Despe. Banho. MAIS DORES! Aiiiiiii!! O Martim que não saía de perto por um minuto. Camisa de dormir. Sofá. Não, no sofá não consigo. Vamos para a cama. Eram 3 da manhã.
UMA HORA. UMA HORA a chorar e a gemer na cama. Luz acesa.
– “O que fazemos? Ainda não passou o tempo que nos pediram para aguentar até voltar ao hospital…”.
– “Vamos embora…assim não podes ficar”, disse-me ele.
O Martim estava preocupado como nunca o vi. As lágrimas corriam-me pelo rosto, com tantas dores. Chegámos ao hospital em menos (bem menos) de 10 minutos. (160 km/h no Eixo-Norte/Sul e 4 piscas ligados).
A mesma equipa à nossa espera. Nova observação. 3 dedos de dilatação mas colo do útero totalmente apagado.
– “Ainda bem que vieram… que a coisa acelerou e bem. Vamos aqui preencher os seus dados e fica já internada.”
Subimos ao 6º andar. Pediram ao Martim para esperar um pouco enquanto eu trocava de roupa e enquanto me faziam umas maldades e me administravam a epidural. Falaram em meia hora. Passou mais, muito mais. Ele diz que foi uma eternidade…

Posto isto, e já com o Martim ao pé de mim, seguiram-se horas e horas de espera. Ele ainda tentou ler um livro, mas nem isso conseguia, tal eram os nervos… e o sono de uma noite não dormida.
Já vos disse que a epidural é a melhor coisa do mundo? Ahahah.
Pronto, se tirarmos o que faz às pernas e aos pés no pós-parto, que mais parecem os de um elefante, é a melhor coisa do mundo.
Eu estava bem. Quando sentia o efeito das “drogas” a passar, pedia mais. Perdi a conta às doses que levei. Mas, tal como as enfermeiras e os médicos diziam, não havia necessidade de estar com dores e a sofrer, porque precisaria de forças para mais tarde. Estava longe, bem longe de imaginar…

{Continua}

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