O (terrível) choro da minha filha…

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É oficial… ela chega hoje (dia 21/06) aos 30 dias de
vida, ou seja, faz hoje 1 mês e a felicidade que sentimos é tremenda, avassaladora, incomparável. Mas é que é mesmo…!! Só que… aquele choro, Deus meu, aquele choro dá conta de nós… mas já lá vamos.
Se pensaram (por breves momentos) que estes (quase) 30 dias estavam a ser um passeio no parque, um autêntico mar
de rosas, um paraíso na Terra, um idílico jardim pejado de Lírios, Hortênsias, Gerberas, Rosas e Margaridas… enganam-se redondamente e não podem estar mais longe da verdade.
Não
são, não foram e tenho as minhas fundadíssimas suspeitas de que quem diz que
sim, que o primeiro mês de vida da vossa descendência é um idílico jardim cheio de flores… está a mentir com todos os dentes que tem dentro da mentirosa boca. É duro. Posso dizer-vos que chega a ser mesmo muito duro. 
Há mesmo alturas em que roçamos ligeiramente (para ser simpático para comigo mesmo) desespero, sim, leram bem, o desespero… Não consigo encontrar palavra que consiga descrever melhor o estado em que ficamos quando assistimos, quase gelados, àqueles momentos quase medievais em que a bebé acaba
de comer, arrota (este é um epílogo que dava pano para mangas e palavras
suficientes para mais uma história), não tem cocó até aos olhos nem xixi até aos pés, não tem frio, não tem calor… mas ainda assim entende que o que tem de melhor a fazer é desatar numa choradeira desenfreada como se a estivessem a encaminhar para a Guilhotina- quem já é pai saberá do que estou a falar – e nós, nós chegamos a ficar verdadeiramente petrificados, quase que paralisados perante o estridente, agudo, desesperado, esganiçado e até ligeiramente ensurdecedor choro colérico da nossa pequenina.

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Creio que, ao fim de 1 mês, é esta a sensação mais difícil de explicar, de sentir, de viver, de experimentar, e que se torna totalmente impossível de esquecer. Estou a escrever este texto e a ouvi-la chorar novamente, ao colo da mamã (pobre coitada), e digo-vos que parece que o meu cérebro lateja desconsoladamente. Mas que não se empoleirem já nas pontas dos pés para me atirarem tomates e ovos e dizerem: “Então mas só a mamã é que anda com ela ao colo enquanto o menino escreve, é isso?” – Não, não é isso, com toda a certeza. Isto da parentalidade é uma realidade totalmente partilhada, quase totalmente… a parte da amamentação não dá, por motivos que me parecem forçosamente fáceis de perceber… mas de resto, tudo é dividido. 

A isto junto-lhe a dificuldade que o meu cérebro enfrenta ao fim de tantas e tantas noites a dormir tão pouco. Não é à toa que o sono interrompido é uma conhecida e reconhecida forma de tortura – é que é mesmo – e que faz libertar em nós coisas que desconhecemos ter cá dentro. 

Há uma notória libertação de tensão, raiva, má disposição, frustração e… uma miríade de outras coisas que não faço sequer ideia que nome é que podem ter. Contudo, uma das coisas que já dei conta que me acontece é o facto de o nosso cérebro ser mesmo capaz de fazer e de entrar em curto-circuito perante a estridência incessante do choro de um recém-nascido.

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Ninguém nos prepara para isto, e é impossível conseguir preparar alguém para o que se vive neste 1º mês de paternidade.
Até porque, como tão sabiamente se costuma dizer, com o choro dos filhos dos outros podemos nós bem. 

Já passei por 1 cancro, já vivi muita coisa de difícil encaixe nesta vida, no entanto, pouco se compara à impotência que tenho sentido a minha filha (caramba, como é lindo dizer e escrever isto) abre a goela daquela forma, qual arauto a anunciar a Guerra do Fim do Mundo, e desata a chorar para ser ouvida nas 7 colinas de Lisboa
Parece que me estão a dar estaladões nas ventas, isto depois de me terem dado um anestésico que me priva de mexer 1 músculo que seja. 

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Mas depois, depois ela aninha-se e enrola-se toda no meu peito e esqueço-me que ela chora daquela forma… até ela voltar a berrar novamente e eu dar por mim a perguntar a Deus Nosso Senhor que mal é que Lhe terei feito… =)

Não é tudo maravilhoso.
Não é tudo um sonho interminável onde passamos os dias em constante levitação. Não. Não é
Mas é uma experiência que nos engrandece e edifica de forma incomparável enquanto seres humanos, enquanto adultos, e sobretudo enquanto casal.

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Ser pai, porque sobre ser mãe não posso alvitrar, é, de muito longe, a experiência mais intensa e colossal que alguma vez vivi na vida.
Estou certo de que a minha mulher tem a mesmíssima opinião sobre a sua condição de Mãe. Ainda que as maminhas lhe possam gritar o contrário.
Sim, de facto estamos cansados, muito cansados, exaustos mesmos, e este texto é um produto de tudo isso, de um cansaço extremo, de olheiras até ao queixo, de dores de cabeça, de costas, de braços, mas é um cansaço que não nos priva de sorrimos muito, de brincarmos mais ainda, de continuamos a ser aquela dupla de palermas incorrigíveis e que se divertem à brava com as caretas, os sons, os puns, os arrotos à taberneira, ou os guinchinhos amorosos que ela dá quando está no nosso colo.

News flash: fomos pais e sobrevivemos ao 1º mês! 

Estamos receptivos a pedidos de entrevistas e sessões de esclarecimento ou storytelling. Mas que seja num jardim da capital, por favor, e já agora com um geladinho, se não for pedir muito.
É que está sol, está (muito) calor, céu limpo e nós estamos fartinhos de passar tanto tempo em casa! =) 

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