Por onde começar? – 3ª e última parte

Bom, vou tentar não fazer barulho com o teclado porque a pequenina finalmente adormeceu e a “coisa” não está fácil. O Martim já começou a trabalhar e tenho estado sozinha com ela. Sinto que ela tem saudades do papá – será isto possível se ela só tem 2 meses?! O certo é que a partir do momento em que o Martim chega a casa só está bem no colinho dele e chora se a tentamos pôr na alcofinha quando ainda não caiu no sono profundo. Noto que a pequenina anda mais mimoquinhas, mesmo durante o dia. Afinal de contas esteve quase 2 meses a ouvir as vozes da mãe e do pai e a sentir ambos. E agora… agora olha, tem de levar comigo váaaarias horas 🙂 eh eh eh Isto tudo para vos explicar que mal tenho tido tempo para comer, quanto mais pôr a escrita em dia. Perdoem-me! E tragam-me o almoço por favor! 🙂
Mas onde ficámos mesmo? Ah!!!! No puerpério! Tentava eu explicar-vos que de facto assim que o nosso bebé nos cai nos braços esquecemos as dores… pelo menos por momentos porque… elas não desaparecem! Nas horas seguintes ao parto (que foi às 22h40), e até poder levantar-me da cama (por volta das 5 da manhã) – ainda que com ajuda -,  estava tudo mais ou menos. Sentia dores mas estava tão anestesiada que dava para suportar. 
Até me fazerem o levante (é assim que se chama), tocava à campainha para me darem a bebé para a maminha e para a deitarem novamente. Não a podia ter na cama comigo porque nem sequer conseguia virar-me de lado, portanto o esquema era este. Lembro-me de estar CHEIA de sede e de perguntar a uma auxiliar – a Rita, amorosa – se podia dar-me água. Não podia, claro, mas pelo menos tentei 🙂 Lembro-me também de ficar a olhar para a minha bebé e pensar “é mesmo minha!!!”. E que linda que ela é! Lembro-me ainda do olhar dela a fixar o meu, ali mesmo ao meu lado. Registei o momento e foi precisamente essa fotografia que enviei à minha obstetra, juntamente com uma mensagem de agradecimento por toda a preocupação e apoio durante aquelas looongas horas. Que bom foi sentir que ela estava ali, mesmo não estando fisicamente.
A noite passou rápido. Mal dormi, porque só queria olhar para a minha bebé. Às 5 da manhã, lá pude beber água. Aaaaahhhhhhhhhhhhh!!! Que bom!! E a mesma enfermeira que me deu água ajudou então a levantar-me da cama. Aí é que foram elas!! QUE DORES, meu Deus!! Que dores! Dei 2 passos e voltei a sentar-me para tomar o pequeno-almoço. 
Passado algum tempo, hora do banho… da bebé claro! Eu ainda não podia. Vi tudo com atenção, porque apesar do curso de preparação para o parto do Instituto4Life, naquele momento deu-me uma branca. Juro! A pequenina não achou muita graça, tinha frio, coitadinha! Mas depois ficou bem. Dormia imenso na maternidade… o barulho não a incomodava.
O papá chegou às 13h00!! Nem mais um minuto! 🙂 Que amor vê-lo com a NOSSA bebé. 

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Nessa tarde ainda recebemos a visita dos avós, de uma das bisavós (que fazia anos!! Bela prenda!!), da tia-madrinha e do padrinho e madrinha emprestada. Foi uma correria, porque são apenas duas horas de visita – bom, digo apenas, mas confesso que para nós (recém-mamã e bebé) é um descanso que assim seja. Das 16h00 às 20h00 voltávamos a ser só nós os 3 e conseguia fechar um pouco os olhos enquanto o Martim ficava com ela.
Mudámos de aposentos no fim do dia. E tive a sorte de ter uma companheira de quarto espectacular, a Inês. Enquanto o Martim e o namorado dela não chegavam e depois de irem embora, olhávamos pelos bebés uma da outra e isso foi muito importante. 
As refeições tinham de ser feitas sempre numa sala à parte, SEM os bebés. Custou-me imenso mas a minha amiga Romana já me tinha preparado para isso. Pequeno-almoço, almoço e jantar. A horas demasiado certas para quem mal se pode mexer, para quem está a dar maminha e a cuidar de um recém-nascido. E, permitam-me falar disto um bocadinho: adorei e recomendo o Hospital de Santa Maria, em termos clínicos. Já no que diz respeito ao internamento, há muitos aspectos a melhorar. Uma recém-mamã não devia ser obrigada a deixar o seu bebé no quarto, quando ainda mal lhe conhece o choro. Uma recém-mamã não devia ser obrigada a saltar da cama em 5 minutos para que a mesma fosse feita de lavado, só porque sim, só porque tem de ser. Uma recém-mamã não devia ter de ir tomar o pequeno-almoço às 9h00 em ponto, quando essa é a hora da visita do pediatra. Uma recém-mamã não devia ter de ir almoçar às 13h00 em ponto, se essa for a hora do bebé mamar. 
Tem de haver mais flexibilidade por parte da outra equipa que, depois dos médicos e enfermeiros, toma conta de nós. Nos dias de internamento, não esperava ter refeições deliciosas e casa-de-banho privativa. De todo. Mas esperava que não entrassem no quarto às 8 da manhã aos gritos a dizer “toca a acordar”, quando a noite tinha sido péssima, que as horas das refeições não fossem ao estilo militar, que não me pedissem para me levantar depressa quando estava com dores horríveis e com pés e pernas de elefante.

Mas vá, nem tudo é mau – conheci a Rita, a auxiliar que me levou do bloco ao internamento e que nos dias seguintes me ia espreitar para ver como estava, tal como a enfermeira Alexandra. São pequenos gestos como este que deixam marca. Agora… adiante!
No dia 24 de Maio de manhã, tive alta. A minha pequenina não. Foi um choque. Não estava à espera. Tínhamos de ficar pelo menos mais uma noite no hospital por causa da icterícia. 

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Fototerapia e maminha de 2 em 2 horas, SEM FALHAS. O pediatra iria avaliar novamente os valores na manhã seguinte. Chorei. Vá, chamem-me mariquinhas-pé-de-salsa! Agora sim, podem chamar. Mas a minha bebé estava com icterícia e no dia em que estava pronta para irmos para casa, afinal temos de ficar. Balde de água fria! Liguei ao Martim. Chorei ao telefone. Ele disse que podia chorar, que não fazia mal. Muitas emoções. Hormonas ao rubro!
Escusado será dizer o quanto foi longa essa noite. Não dormi rigorosamente nada. Às 6 da manhã, uma enfermeira amorosa mediu novamente os valores da Bilirrubina – “aiiii, vamos esquecer isto que ainda dá mais alto!”. Fiquei tristíssima. Só queria ir para casa. O pediatra apareceu às 9h00. Os valores afinal tinham descido. Ufffff!!! Que maravilha! Combinámos nova avaliação às 12h00 só para garantir. 
“Tudo ok, pode ir para casa com a sua bebé. Mas fique atenta às manchinhas amarelas. Não quero manchas amarelas a chegar aos pés. Ao mínimo sinal, urgência!”
– “Certíssimo, Dr.!”

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Liguei logo ao Martim para nos ir buscar. Que felicidade! Íamos para casa os 3!!!! Finalmente! Com MUITAS dores na barriga, nas costas (ainda da epidural), nos pés e nas pernas (tal era o inchaço), com olheiras até ao queixo, os mamilos em sangue e gretados, mas ia para casa com a minha bebé e o meu marido! Nada mais importava.
Nem vos consigo explicar o bom que foi entrar em casa… chorei de alegria. Como hoje ainda acontece quando, por exemplo, adormece ao meu colinho. Não se aguenta tamanha doçura!

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