Uma relação (demasiado) próxima com o cocó! Sem fotos!

Ahh páaa, cum catano que ninguém nos prepara nem nos avisa para este tipo de proximidades e afinidades que passamos a ter quando somos pais, mas, ainda assim, e porque acho que isto deve ser lido por todos os pais de bebés recém-nascidos, e por todos aqueles que têm as mulheres grávidas, vou contar-vos parte desta relação estupidamente próxima com o cocó. 

Tenho a perfeita noção que este pode, na verdade, ser realmente um texto de merda, mas ainda assim, valores mais altos se levantam.

Filha, filha minha.
Não sei o que te passou pela “pinha”, mas se achaste que eu sempre tive o sonho de nadar no meio de um mar de caca excrementosa de uma bebé linda como tu, estás redondamente enganada.
Nem sequer te atrevas a alegar que és minha filha e que… quem sai aos seus… É um facto que sou um indivíduo de intestino simples e fácil. 
Sempre gostei desta minha particular particularidade. Simples e fácil.
Nunca tive qualquer episódio de prisão de ventre em quase 33 anos de vida. Não estranho casas, nem hotéis, nem pensões, nem restaurantes, nem cafés, nem bares de praia, nem as moitas, matas, montes ou vales ou mesmo as dunas da praia. Conheci de tudo um pouco. Muitos campos de férias e muitos acampamentos tornam-nos connaiseurs (e eu que tinha dito que não voltava a usar um francesismo).  
Que atire o 1º rolo quem nunca largou as vergonhas em nenhum destes sítios. Embora confesse que abandonei a prática do alívio ao ar livre há já alguns anos. Mas voltando ao tema que aqui me trouxe, dizia eu que o que se tem passado nas últimas 2 semanas ultrapassa tudo aquilo com que alguma vez sonhei… e não, não ando propriamente a gastar o tempo do meu (pouco) sono em sonhos com cocó… credo! Que Deus me livre e guarde de tal pesadelo enquanto durmo! =)

Decidi por bem não partilhar qualquer foto para ilustrar este texto. Já basta o texto ser demasiado próximo e demasiado gráfico. Espero que tenham isto em atenção.

(Entretanto meteram-se as nossas primeiras férias em família de três, o que me obrigou a adiar a publicação desta relíquia mal cheirosa)

Durante o tempo fora de casa a bonequinha resolveu presentear o seu querido e adorado papá com mais dois petardos fresquinhos.
Um deles foi acertar mesmo em cheio nuns calções alvos e cândidos como a madrugada que alvorece e acorda o mundo. 
Regressámos e a coisa ficou mais pacífica, mas os dois primeiros meses foram recheados de momentos difíceis de esquecer. Nenhum homem pode conseguir esquecer a primeira vez que lhe cagam em cima, literalmente. 

Ver cocó a pingar das mãos não é propriamente a visão mais agradável que o Universo conspirou para me oferecer mas… há certamente coisas muito piores.

Um bebé recém-nascido pode, com elevada frequência e dose de probabilidade, passar por dificuldades a tentar fazer cocó

e,

(nunca pensei escrever um texto em que repetisse tantas vezes esta frase) como tal, ter muitas dificuldades em conseguir fazer cocó! É preciso ajudá-los! Quer seja com massagens na barriga, com massagens feitas com as pernitas, ou com o recurso a outros métodos menos ortodoxos, mas tremendamente funcionais. Envolvem um tubo de Bebegel cortado numa das pontas (a que não tem o tubo, obviamente), toalhitas (às dezenas. Literalmente às dezenas!! Preparem-se. Estou a falar, ou melhor, a escrever muito a sério. Mesmo muito a sério!), paciência em doses industriais, e se tiverem algum fato de apicultor não se acanhem. Máscaras, óculos de mergulho, tubos para respirar, e protecções laterais no trocador de fraldas. Utensílios que se podem revelar de extrema utilidade. Com isto, é capaz de dar… ahhh, e trocar fraldas em cima de um sofá, sentados com as pernas ao mesmo nível do rabiosque dos vossos bebés, é coisa para correr muito mal. Vão por mim que já sou um tipo bastante experiente nesta actividade de ser cagado à pistola.

Curiosamente a “sacana” sabe bem para quem aponta. É um bocado como as gaivotas. Quantas vezes já ouviram dizer que está um tipo numa rua sem mais ninguém, deserta, e vem uma gaivota, ou a prima, uma pomba, e caga-lhe em cheio no ombro? Pois, com a minha filha passa-se rigorosamente a mesma coisa. A mãezinha não suja ela!! Nunca. Jamais. Quase dois meses e meio de vida e nem uma vez. Incrível. 

Mas nem tudo é escuro. E como me parece que esta conversa já está a cheirar mal vou poupar-vos a mais detalhes, até porque não há já grande merda mais para dizer. Faz tudo parte da adaptação a esta nova vida, a esta nova realidade, e faz-nos mais homens, mais pais, melhores pessoas. Cuidar de um bebé desde o seu nascimento é uma experiência absoluta, de total preenchimento de cada centímetro do nosso corpo, de cada espaço conhecido e de todos os outros desconhecidos que povoam a nossa alma. Não há, até à data, nada que se compare a isto. E digo-vos, papás, futuros papás, mamãs também, que fazer parte disto, deste caminho, é algo que vos vai ficar eternamente gravado na memória, no sangue, no pensamento, na força de cada sorriso daquele minúsculo ser que cresce à nossa frente e que se torna quase difícil de respirar quando o abandonamos.

O amor é o alimento dos ricos de espírito, que não depositam na conta bancária a felicidade de uma vida inteira e que vivem com os olhos a beleza que se enrosca no simples facto de estarmos vivos para poder viver isto tudo.

Sejam felizes. O resto é cocó.

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