Passear sem a mamã… é um “exercício de coragem”

Alerta: Este texto é para os papás e para que as mamãs se deleitem com o reconhecimento público da vossa grandeza e superioridade.

Não pensem, no entanto, que me tenho em pouca conta, mas a verdade é que a minha mulher é, em quase tudo, mais competente, eficaz, capaz e desembaraçada do que eu. Porquê? Em primeiro lugar porque é mulher, o que por si só é desde logo uma vantagem. Porquê, repito? Porque são seres humanos bem mais capazes do que nós, homens. Esperneiem o que quiserem. Mas é inegável. Em segundo lugar, porque é mãe e porque, de uma forma para a qual ainda não consegui encontrar explicação, a partir do momento em que nasceu a Leonor, muito rapidamente ligou o botão que deve ter escondido algures numa perna ou coisa que a valha, e que activa automaticamente a espécie de “sensor-aranha”, o 27º sentido (sim que eu não me convenço com a história de que elas têm só seis), o “alto que falta isto”.
A tudo isto (que já é tremendo e incrivelmente enorme) juntou a capacidade sobrehumana de saber de cor o que está dentro do saco da bebé.
É assustador meus caros! Sabe de cor o que falta, o que é preciso trocar, o número de fraldas, as mudas de roupa, a chucha, os brinquedos, os livros, as toalhitas, os documentos, tudo, mas mesmo tudo! É verdadeiramente impressionante a capacidade que vocês, mamãs, têm para dar fé de tudo isto!

O episódio que vos vou contar de forma muito breve – para não vos maçar e para não atirar com o meu bom nome para o lodo – é prova disso mesmo, do quão “pequeninos” somos perante a grandeza incomensurável destas senhoras!

Era fim-de-semana e a Ana ia trabalhar à noite pela primeira vez desde que foi mãe. Estava tensa, ansiosa, ligeiramente incomodada. Também não era para menos, uma vez que era a primeira vez que se ia separar fisicamente da bebé, à noite, tendo este pormenor toda a relevância numa bebé que ainda mama, e que o faz precisamente antes de se deitar. Foi essa mesma “maminha” que teve de ser “substituida” por uma papa, dada por mim.

Tenham em atenção que se trata de uma coisa que pode parecer, à vista descuidada, de somenos, mas é, para mãe e filha nesta especial e magnífica condição, uma mudança muito significativa naquilo que é o normal curso dos seus dias. 

Quando faltavam cerca de 20 minutos para sair de casa, ligou-me o padrinho da Leonor a convidar-nos, a mim e a ela, para um pic-nic na Quinta das Conchas, no Lumiar. Combinação feita e toca então a dar o lanche à pequenina para depois sairmos para passear. 
Notei, num olhar de soslaio, alguma apreensão nos olhos da mamã, que ainda assim disfarçou lindamente, mas lá fui então tratar do lanche da pequenota. Ela come rápido por isso a seguir era preciso mudar a fralda, despir o pijama, vestir a roupa, o casaco, o gorro, calçar os sapatitos – não deu, foi com umas meias mais grossas por cima dos collants. Pai resolve rápido com a solução mais fácil e imediata, ainda que, com elevada dose de probabilidade, possa não ser a melhor – e sair de casa. (Não posso esquecer-me de nada!)

No meio disto tudo a mãe lá teve de ir embora. Os avós ajudaram o papá a levar a menina e as coisas para baixo. Depois foi “só” prendê-la no banco do pendura e seguir.

Não foi não. Antes disto, antes disto faltou-me falar-vos do saco. O saco é quase tudo e tem de ter tudo. Tudo! É, de longe, a coisa mais importante que levamos connosco para a rua.
Antes de sair de casa e sem que eu desse conta, a Ana foi verificar o saco… e aqui, meus amigos, aqui chegamos ao climax desta história. A minha mulher, em 2 tempos, tratou de se assegurar que o saco tinha tudo o que papá precisava para poder ir passear com a bebé. Não porque não confia em mim, mas porque ser mãe é ser assim. Naturalmente. Sem esforço adicional. 

É como se um grelha de excel se abrisse naturalmente nas suas ideias e lhes apresentasse a checklist com tudo o que tem de estar pronto para que se possa sair de casa com uma filha com quase 10 meses. Não falha nada, senhores. Nada. Como de resto a maior parte de vós saberá de cor e salteado. É uma capacidade ímpar e que não conseguiremos nunca igualar, a não ser que sejamos forçados a fazê-lo por qualquer agrura da vida.

Por isso, caros companheiros nesta dura missão que é a de ser um pai verdadeiramente competente e capaz, é mais do que tempo de enaltecermos estas e todas as outras qualidades que fazem das nossas companheiras, mulheres, namoradas, mães, tias, avós, e por aí fora, as grandes responsáveis pelas idas ao parque em segurança. São elas que permitem que nós possamos passar o tempo de gatas, a rastejar, a correr, a jogar à bola, com eles às cavalitas, a atirá-los ao ar, a fazer “trinta por uma linha”, e depois, quando eles pedem água, fazemos todos o mesmo:

“- Trouxemos água para a bebé?
– Está no saco.
– E a fralda? E o boneco dela?
– No saco…
– Toalhitas?…  (Olhar de soslaio que dura pouco mais de 1 segundo e que me faz perceber que está lá tudo, claro)”.

Se estamos sozinhos… vamos só ao saco buscar o que quisermos, confiantes que nem reis em cima de um cavalo, porque sabemos que a mãe pôs lá tudo. E a mãe nunca falha. Está lá sempre tudo. 

Da próxima vez que quiserem ir passear com os vossos bebés, tentem arranjar sozinhos O saco e logo percebem o quão únicas e especiais são as (magníficas) mulheres da nossa vida! 

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