Imparável, indomável, incansável… ou a curta história de uma bebé que está a crescer assustadoramente depressa

É tudo isto e, simultaneamente, tanto mais. 
Vê-la crescer é um privilégio indescritível e pouco explicável numa linguagem que não contenha uma boa dose de suspiros, guinchinhos, sorrisos, gargalhadas tremendamente sonoras e em alguns casos descabidas, e um pouco de irrealidade tão própria de um pai completa e totalmente babado e a delirar com esta aventura que é a paternidade. 

Vamos já ao que aqui me traz. Tenho notado que existem de facto picos de crescimento e fases em que eles parecem absorver, aspirar e incorporar tanta novidade e tanta nova capacidade que chegam a abalar profundamente as convicções e ideias de realidade que nos povoam a mente. 

A Leonor está quase a completar 12 meses de vida e as diferenças e aquisições começam a ser notórias de semana para semana, às vezes até mesmo de dia para dia,

Assinalo apenas uma mudança recente, para não vos maçar com um texto grande e palavroso, em particular num sábado à tarde.

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Recentemente fomos passar uns dias de férias à Madeira, os três, em família – que é assim que a vida se quer – e, qual não foi o meu espanto quando, já no avião, acabadinha de entrar naquele pássaro gigante de cauda cor de laranja, ainda ao meu colo e a serpentear pelo avião fora à procura do nosso lugar, começou a saudar toda a gente que lhe dirigia o olhar ou um sorriso. 

Rajadas de “Aiá, Aiá, Aiá” para toda a gente, sorriso aberto, aquele sorriso tão próprio de quem, tal como o paizinho, sorri com os olhos antes mesmo de começar sequer a esboçar um sorriso com a boca.

Esta característica tem-na, tal como eu sempre a tive. Está sempre a sorrir, de sorriso aberto e olhos rasgados, como se toda a felicidade que ela irradia coubesse num dos gestos mais simples e belos que o ser humano consegue produzir: o sorriso verdadeiro. Mas atenção que isto nem sempre nos é favorável a nós, pessoas que sorriem com os olhos antes de mostrar os dentes.

Esta particularidade torna-a magnética. Obriga a que se concentrem sobre si os olhares dos transeuntes que, perdidos na beleza indescritível e muitas vezes quase insuportável daquela ilha, se encontravam rapidamente no sorriso de uma bebé de 11 meses. Acto contínuo, sorrir de volta e sorrir para os pais que, postos atrás do carrinho onde Sua Alteza Real segue sentada e a acenar à multidão, se foram deleitando com a atenção com que a sua mais que tudo foi sendo brindada ao longo dos dias que passámos na Madeira.
E não foram apenas os estrangeiros, claro está.

A Nádia, a Isabel, o Miguel e a Dona Conceição ficaram encantados. Não houve quem se cruzasse com ela, quem assentasse os seus olhos nos dela que não lhe sorrisse de volta. Impressionante. Impressionei-me… e antevi um futuro difícil nesta condição de pai de uma menina que, tão cedo, já vai chamando a si as atenções de um mundo que vai descobrindo a cada dia e pelo qual se encanta como se encantam os pássaros pelos primeiros laivos de luz que a manhã lhes traz.

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