A quatro meses dos 2 anos… as birras

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Tal como se previa, as birrinhas por tudo e por nada já chegaram a esta santa casa. 
Outra coisa não seria sequer de esperar de uma criança com tanta atitude, muita inteligência, extremamente atenta, observadora e destemida.

É assim a minha filha. Parece não ter medo de nada, ou de quase nada, com excepção de… estranhos, do aspirador, da campainha de casa, de cães grandes que se chegam perto dela e da Bimby… não tem mesmo medo de nada.

Desde o final de Janeiro que comecámos a reparar no aumento da frequência e do número de pequeninas birras por dia. Entrou numa fase em que choraminga (sem chegar a fazê-lo) “por tudo e por nada” e reage mal quando é contrariada. Reage com bastante desagrado mesmo. 

Quando digo contrariada falo mais concretamente de toda e qualquer coisa que atente contra a vontade indómita de sua excelência. Seja por lhe tirar alguma coisas das mãos, por não a deixar ir enfiar as mesmas dentro da sanita, ou quando abre o armário da sala e espalha a caixa de bombons por metade da área útil da mesma e é repreendida pela enésima vez, mas ainda assim sai dali a rir-se e a trote como se tivesse sido apanhada pela primeira vez. Enfim, podia referir aqui mais 200 exemplos diferentes que estou certo que, fossem eles quais fossem, vos seriam certamente familiares. 

 A Leonor é muito astuta e perspicaz dentro da sua pequena e despreocupada idade. Tem muito mas mesmo muito vocabulário, repete a grande maioria das coisas que lhe dizemos, passa os dias a cantar, entoa muitas das palavras de forma correcta e aplica, por exemplo, os seus “uauuuu” nas ocasiões certas.

Contudo, e como é perfeitamente normal para uma criança de 20 meses – credo, ainda só tem 20 meses e já “faz estas coisas todas” – tem muita dificuldade em controlar as suas emoções. Pudera, é das coisas mais complicadas que o ser humano tem de aprender a controlar, e todos nós sabemos como há muita boa gente que nunca chega sequer a conseguir fazê-lo ao longo de toda uma vida.

Diz com veemência – e algum prazer, até – a palavra Não, pois claro! 

– “Filha, gostas do pai?”
– Não!
– “E da mãe?”
– Não!
– “Não gostas do pai nem da mãe?”
– Não! – rindo-se já desavergonhadamente!!!”
 

São assim estes fedelhos, sem respeito algum pelos corações moles dos seus bons e pobres pais! 

Um “truque” que temos procurado seguir desde que tudo isto começou é o de conversar com ela, tentar explicar-lhe que não pode fazer a, b, c, d, e, f… e todas as milhares de “asneiras” que ela vai tentando perpetrar ao longo do seu dia. 

Claro que por vezes também nos “zangamos” com ela, fazemos cara feia, ela já percebe e liga o seu modo de olha-para-mim-que-sou-este-bebé-angelical-e-não-faço-mal-a-uma-mosca-quanto-mais-fazer-isso-que-estás-a-dizer e a coisa vai passando, até porque tentamos sempre tirar o foco do alvo da sua frustração, da sua “tristeza”. Pegamos-lhe ao colo e falamos com ela, para que se sinta sempre protegida, para que perceba claramente que faz asneiras mas que nós continuamos ali, do seu lado, incondicionalmente. Não somos nem mais nem menos, nem melhores nem piores. Longe, muito longe disso. Mas acreditamos que o amor tem de ser incondicional. E que ela tem de sentir isso. Sempre. Até mesmo quando nos zangamos com ela.

Não pode ser de outra forma. 

É uma fase chata e desagradável, claro que sim, nisso estamos todos inteiramente de acordo. A mesma traz ainda às costas a possibilidade que anda sempre à espreita na vida de quem anda com os pequenotes para todo o lado: os habituais episódios de birras horripilantes em locais públicos

Fazem parte do processo. Lembre-se de não os levar com fome para o supermercado! Não. Não é um conselho válido só para adultos. É válido para todo e qualquer ser humano.

Não se deixem envergonhar nem descarreguem neles a vossa própria vergonha porque o vosso filho ou filha está a fazer uma birra desde o momento em que viu aquele boneco da Patrulha Pata e achou que o mundo lho ia oferecer, ou porque quer comer aquele bolo e se não o fizer o mundo vai conhecer a perfídia e ira dos Deuses, ou só porque sim. Porque é uma criança e porque o mundo tem por hábito, aqui e ali, oferecer-lhe provas da sua imensa grandeza e generosidade. Porque afinal de contas, quem manda no mundo (dela) é ela! É isto em que ela acredita.  

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O diálogo e a serenidade são sempre os melhores conselheiros. Eles não sabem ou, no caso da Leonor, ainda vão tendo alguma relutância em partilhar o que “é Meu!”

Lembrem-se: eles querem o mundo na palma da mão. Porquê?

O mundo é o que os olhos lhes mostram. Não há mais para além disso. 
Pronto, há também o sol, o céu, as estrelas, os popós, a escola, mas não passa disso.  Nas suas cabecinhas não há ligação entre todos esses “mundos”. Há apenas um copo que todos os dias acaba a transbordar de informação nova e que 9 ou 10 horas de sono não chegam para assimilar e arrumar no devido lugar. 

Crescer é uma tarefa tremendamente dificil e que envolve, entre tantas outras coisas:

– muito trabalho;
– dedicação;
– cansaço;
– más decisões;
– más escolhas;
– aprendizagens;
– frustrações;
– felicidade… e claro… 
– tristeza. 

Não conseguiremos nunca – e ainda bem que assim é – protegê-los de tudo e não podemos sequer fazê-lo, sob pena de lhes deformarmos a personalidade. É errado querer que sejam novos adultos formados à nossa imagem e semelhança. 

Credo! Longe de mim querer que os meus filhos sejam ou venham a ser parecidos comigo. Desejo-lhes uma vida bem melhor!! 

Digo-vos, por experiência própria, que é muito mais simples e eficaz tentar prevenir uma birra do que tentar acabar com a mesma.

A sério. Experimentem levá-los a um hipermercado, a um parque, onde quer que seja, embora o Hipermercado permita fazer um dos testes mais difíceis: resistir a TUDO AQUILO… =) mas de barriguinha cheia. Vão ver a diferença. Ou então levem comida de casa para lhes poderem dar assim que a hora apertar.

Como dizia há pouco. Se eles não estiverem com fome. Se tiverem dormido a sesta, ou tiverem  envolva-o(s) nas decisões, não ceda a todos ou à maioria dos seus pedidos. É tudo colorido e engraçado, giro e magnético… é de propósito! 

Aliás, ideia é mesmo essa. Fazê-los ficar “passados da marmita” e desatarem a pedir aos pais isto, aquilo, e mais isto e mais aquilo e aqueloutro. E se os pais não dão… buahhhhhhhh! Eu quero!! Já!! És mau!! Não gosto de ti!! Buahhhhhhhhhhhh!!!  

Mantenham a calma! Para vosso próprio bem. A vergonha será bem maior se começarem todos aos gritos. Expliquem-lhe(s) que não é possível, que não lhe(s) faz bem, que pode antes vir ajudar a mãe ou o pai, ou ambos a escolher a fruta, ou o pão. 

Optem também por tentar envolvê-los nas coisas mais rotineiras lá de casa em que, regra geral, eles adoram participar. É muito divertido ajudar os crescidos a fazer coisas de crescidos

Mas não posso deixar de vos dar apenas mais este pequeno conselho: preparem-se para perder a calma. 

Ninguém é de ferro. Ninguém é infalível. Todos nós temos dias menos bons. Dias em que dormimos mal. Em que estamos de rastos. Preparem-se também para esses dias e tenham a humildade e presença de espírito suficientes para aprenderem alguma coisa com eles. Quanto mais não seja aprendam com aquilo que fizeram e que não querem repetir numa próxima birra. 

Têm tempo. Isto dura até aos 4 anos. Com sorte. 

Não podemos é, em momento algum, deixar de lhes mostrar o quanto os amamos, que somos compreensivos para com as suas birras, asneiras, malandrices e afins, e que estaremos sempre por perto para os ajudar a crescer.

Feito isto, está mais de meio caminho feito para que os 2 ou 3 anos de birras que aí vêm sejam menos dolorosos.

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