Adormecer uma bebé de quase 2 anos. Conselhos de quem sabe mas que às vezes se esquece

Adormecer uma bebé de quase 2 anos nem sempre é fácil. Por isso mesmo e porque até é coisa que, regra geral, consigo fazer de forma bastante satisfatória, resolvi preparar este texto, na esperança de poder ajudar com alguns conselhos de quem sabe mas que às vezes se esquece de como se faz.

Ultimamente as noites têm sido maravilhosamente bem conseguidas no que ao deitar a Leonor diz respeito. Porquê? Esta é de resposta fácil.
Porque de há um mês a esta parte me lembrei de fazer aquilo que sei perfeitamente que se faz nesta parte tão importante da rotina dos nossos filhos, o deitar, mas de que me esqueço de vez em quando. Ou seja, esvaziar a cabeça antes de entrar no quarto com a bebé com o objectivo claro e determinado de a adormecer.

E porque é que é tão importante que isto aconteça? Fácil, outra vez.

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Porque quando levamos as preocupações, os problemas, as inquietações, o stress, a frustração, e todas as outras coisas negativas que carregamos connosco durante o dia, para dentro do quarto deles, numa altura em que a única coisa de que eles precisam é de calma, serenidade, leveza, amor, carinho, descontração, paciência, apoio, ajuda e solidariedade, está o caldo entornado. Porquê? Fácil mais uma vez – porque é mesmo fácil de se perceber e ainda mais fácil é de se esquecer.

Dizia eu que é fácil, porque eles percebem-no a léguas. Não acreditam?

Acreditem que é mesmo assim. Sem tirar nem pôr.
Percebem e sentem que algo não está bem.
Que não estamos com “cabeça” para ali estar. Que é quase como se nem sequer quiséssemos ali estar. Que queríamos era que tivesse antes vindo o outro (dependendo de qual de nós ali está) e nós tínhamos ido fazer o jantar.

E, como dizia, como eles o sentem verdadeiramente, ao contrário do que tantas vezes teimamos teimosamente em acreditar, manifestam-se da única forma possível e acessível a um bebé que está dentro da sua cama de grades, no meio do escuridão total em que o quarto está imerso: tentam levantar-se, enfiam os pés e as mãos pelas grades da cama, cantam, empinam o rabiosque, mordem furiosamente a chucha, atiram-na para fora da cama, fingem que estão a dormir para se começarem imediatamente a revolver dentro da cama, a atirar com os lençóis para o diabo que os carregue, e depois começam a palrar, cada vez mais alto até que lhes chegue a resposta que procuram, até que alguém lhes dê atenção, ou conversa, ou que finalmente lhes peguem ao colo, para ver se conseguem ir buscar a calma de que precisam antes de adormecer.

Estou certo que estarão a reconhecer este tipo de padrão, que com toda a certeza não é exclusivo desta casa.

Claro que cada criança é uma criança e, lendo esta maravilhosa entrevista do eterno pediatra João Gomes Pedro, que teve a felicidade de trabalhar de perto com T. Barry Brazelton, falecido há pouco mais de 1 mês, ficamos exactamente com a certeza de que a descoberta da especificidade individual das nossas crianças é uma das grandes conquistas que podemos fazer enquanto pais e um assunto de uma importância extrema, vital.

Destaco esta citação preciosa: “Precisamos de um Ministério da Criança, para que se possa fomentar o que a criança precisa, principalmente nos primeiros anos de vida: ser amada, ser aquecida, ser alimentada, ser apaixonadamente descoberta por quem quer que esteja nas maternidades a ajudar os profissionais neste volte face, nesta nova missão.”

Assim, porque é tão importante conhecer os nossos filhos, é igualmente importante, talvez ainda mais, que nos conheçamos a nós próprios. Que saibamos quem somos, o que queremos e que paremos para pensar no que fazemos. Que dediquemos tempo, essa preciosidade cada vez mais cara e rara, o ouro do século XXI, a pensar no que estamos a fazer, naquilo que somos quando estamos com as nossas crianças.

Sei bem que o tempo em que vivemos não está para grandes pensamentos. Está mais para nos distrairmos do que para nos concentrarmos e dedicarmos tempo à indústria indispensável do pensamento, da reflexão, da análise ao nosso próprio comportamento que, em última análise, nos conduz ao melhor que temos em nós e à melhor versão de nós próprios.

Já passou mais de 1 mês desde que tomei a decisão de mudar de emprego, de empresa, de vida. Uma decisão muito importante e que me trouxe à alma uma paz e uma serenidade que não sentia, muito possivelmente, desde que a Leonor nasceu. A paz de estar bem comigo e de sentir que tomei a decisão certa, a decisão de ir à procura do meu futuro.

Essa mesma paz e leveza foram transportadas por mim para dentro do quarto da Leonor nas 3 primeiras noites da semana em que a fui deitar e a coisa correu extraordinariamente bem. Sem nunca que esquecer que, antes disso, há o ritual (lavar dentes + história) que já faz parte das noites e que é já impossível de contornar.

Mas dizia eu que consegui esvaziar totalmente o cérebro, os ombros, as costas, retirar de mim toda a tensão e pressão que os dias e a vida nos impõem e fui “apenas” adormecer a minha filha. Concentrado apenas nela. Só nela. No seu sono. No seu dormir. Na sua resposta. Na sua necessidade. Naquilo que ela precisa para adormecer. E foi tão fácil e tão bom.

Sussurrei-lhe palavras meigas de sossego, conforto, segurança.
Quis que ela percebesse, porque já está numa idade em que já percebe a grande maioria das coisas que lhe dizemos, que eu sei que ela sabe que consegue adormecer sozinha e que, caso ela precisasse, era só esticar o braço ou chamar-me que eu estaria mesmo ali ao lado até ela estar a dormir. E ela não se zangou, não se inquietou, não se revoltou, não nada…! Desde então gosta de tentar a sua sorte e de voltar uma segunda vez ao colo antes de por fim adormecer. Dou-lhe esse bombom e ela fica bem melhor depois de vir ao meu colo por mais um minuto. Tudo no escurinho da noite.

Adormeceu em poucos minutos e eu deixei-me ficar ali. Ao lado dela. A ouvi-la respirar. Suave. Doce. Descansada. Tranquila. Serena. Segura.

Sim. Sei muito sobre isto. Aprendi muito sobre isto. Estudei muito sobre tudo isto durante os 5 anos de faculdade. Mas, tal como todo o comum dos mortais, tenho fraquezas, limitações, dias menos bons, dias assim assim, e dias maus.

E nessas alturas, nas alturas em que o cérebro está mais cansado e menos funcional, o mesmo tende a fazer birra e a querer conduzir-te pelos caminhos do facilitismo e da rápida e imediata satisfação das necessidades: silêncio, descanso, isolamento, paz, olhos fechados e sossego.

Pois bem, tudo o que interfira com alguma destas coisas é imediatamente repudiado e rejeitado pelo cérebro que reage de forma estúpida: perdes a paciência para os filhos, para a mulher, para os colegas, para o chefe, para a senhora da caixa do supermercado que leva tempo a mais a registar as compras, para o tipo que está à nossa frente no semáforo e que demora a arrancar quando cai o sinal verde… e por aí fora.

A frustração e o cansaço não são nem serve como desculpa. Jamais!
Servem, isso sim, como justificação para o esquecimento de tudo aquilo que sei e que sei ser o melhor para a minha filha. Quem nunca falhou neste campo que me atire a primeira almofada às ventas – sim que pedras é coisa que é capaz de aleijar – mas, caríssimos amigos, no reconhecer da falha, da limitação e da incapacidade está também grande parte da aprendizagem necessária para fazermos de cada um de nós uma pessoa ligeiramente melhor do que éramos ontem.

Essa é uma das nossas grandes “habilidades” enquanto seres humanos. Aprender com os erros. Se não o fazemos e insistimos nos mesmos, somos só estúpidos. Burros. E parvos.
E ridículos. E quem sofre? Pois claro. Quem não pediu para nascer.

Pensem nisto.

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