Ela vai sem fralda, senhores. E agora?

Agora é que são elas…
Pois bem, a Leonor começou a andar sem fralda, senhores, sem fralda. E agora?
Agora, agora aguenta… ai aguenta, aguenta.

Dizia eu que ela começou a andar sem fralda durante o dia, ou seja, começou o desfralde precisamente na semana em que fez 2 anos.

O processo iniciou-se essencialmente por sugestão da Educadora, que nos disse que no caso dela, por ser uma das meninas mais escorreitas e “crescidinhas” da sala, acreditava piamente que a pequenita ia adaptar-se muito bem ao processo e que rapidamente estaria a andar sem fralda todos os dias.

NOTA: Nessa semana, mais concretamente no dia 23/05, fui para Amesterdão em trabalho, ficando a Ana, sozinha, entregue às desventuras dos primeiros dias, que consistiram essencialmente em:

  • Mudar de roupa 3 ou 4 vezes por dia – ou até mais;
  • Perguntar-lhe umas 20 ou 30 vezes por hora se quer fazer xixi e ouvir quase sempre a mesma resposta: Não!
  • Limpar xixis pela casa fora, tentando sempre evitar que ela se lembrasse de o fazer num dos tapetes;
  • Andar sempre com uma toalha por perto. Não interessa de que tipo, ou tamanho, até porque quando a aflição aperta, vem a primeira que estiver à mão. Qualquer uma serve para limpar o chão. Até um pano da loiça.
  • Levá-la à sanita mesmo sem ela querer, tendo de ouvir consecutivamente a frase: “Não té mais mamã/papá. Não té mais.”

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  • Colocar resguardos descartáveis em todo o lado e mais algum. No sofá, no tapete, em cima da nossa cama, nas cadeiras auto dos dois carros, no carrinho de bebé…
  • Rezar!! Rezar muito. Várias vezes ao dia. Sobretudo quando já se esgotaram todas as mudas de roupa que tínhamos trazido para a rua.

Mas deixem-me voltar atrás, à tal 1ª semana, para vos contar uma pequena história a propósito desta enormíssima aventura.

Era Domingo, dia seguinte à festa de anos dela, e tínhamos ido passear ao Saldanha, sendo que já por lá resolvemos então ir lanchar a uma conhecida pastelaria ali na zona.

Entrámos. Estacionámos o carrinho de bebé junto à mesa – que, regra geral, é sempre escolhida em função do espaço existente para guardar o carrinho e da proximidade ou da saída ou da casa de banho – e lá foi o papá buscar o lanchinho para os três.

Ora pois bem, quando volto à mesa, nem sinal das minhas duas mulheres.
Mesa vazia. Carrinho no sítio. E elas, nem vê-las. Foram à casa de banho, pensei.
Mas nunca mais voltavam. Ao fim de alguns minutos lá aparecem. A Ana vinha afogueada e visivelmente cansada.

– O que foi? Perguntei eu…
– O que é que achas?
– Fez cocó?
– Cocó? Cocó é favor. Estavas na fila e ela diz-me “cocó, mamã!”, ao que eu respondi “boa, filha!” e levantei-me para a pegar ao colo e a levar à casa de banho… #sóquenão… mas quando a peguei ao colo percebi que a desgraça tinha já tomado conta da situação.
Já tinha feito cocó e o panorama não era nada animador… e tu na fila.
Bom, peguei nela e levei-a para baixo. Cheguei à casa de banho e comecei a suar… tal era a falta de espaço que a mesma apresentava para a trocar… por isso, como podes imaginar, foram 10 minutos maravilhosos estes últimos… até perdi a vontade de lanchar.

Não, nem tudo é lindo. Não, nem tudo é maravilhoso. Sobretudo quando pelo meio há cocós fora das fraldas… pelo menos eu tenho um problema com cocós… e não é pelo cheiro.

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Entretanto a coisa foi estabilizando, como é normal.
No entanto, houve algo que reparámos que mudou, e quase de imediato, isto é, reparámos que ao fim da 2ª noite a Nonô começou, ao mesmo tempo que estava a dar-se melhor com o controlo do xixi, a ter dificuldades em adormecer, coisa completamente nova, essa sim.

É normal, nesta fase, que as crianças façam determinadas aquisições e conquistas, sobretudo aquelas que seriam expectáveis de acontecer mais para a frente, e que tenham algum tipo de regressão noutro tipo de tarefas e rotinas que já estavam completamente enraízadas, como foi o caso do deitar.

Ela dorme a noite toda desde que tem 2 meses – sim, já estou a sentir as vossas sobrancelhas a arquear e a reparar nos vossos lábios a serem mordidos pelos vossos próprios dentes, mas é o que é, ela dorme assim, sempre, para grande felicidade dos papás – e, como é normal, qualquer pai estranharia que a sua filha de repente passasse a ter dificuldades em adormecer…

E foi uma alteração enorme, já que passámos uma semana a ter de ir ao quarto dela 4 e 5 vezes depois de a deitarmos porque ela se levantava e se punha em pé, na cama, aos gritos, a chamar alternadamente por um e por outro, até que alguém atendesse aos seus desígnios. Felizmente já está tudo a acalmar… =)

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Por tudo isto, resolvi juntar aqui alguns conselhos para quem possa estar a passar pelo mesmo e já tenha os cabelos em pé – coisa que a mim nunca me sucede – e sinta que está à beira de um ataque de nervos.

  1. Calma. Pode parecer básico mas não é. Temos mesmo de ter muita calma nesta fase. Não podemos ser bruscos nem ralhar com eles, sob pena de deitarmos tudo a perder e de perpetuarmos o processo durante muito tempo.
  2. Paciência. Temos de ser mesmo muito pacientes. Pacientes com o chão molhado, com a roupa molhada, com eles que estão numa fase crucial da aquisição da sua independência e maturidade, com tudo. É vital que tenhamos as reservas de paciência no modo inesgotável… e que nos lembremos, sempre, que cada criança tem o seu tempo e que as conquistas acontecem exactamente dentro desse tempo. Ou seja, se as pressionarmos com um assunto tão delicado a coisa vai correr muito mal. Acreditem em mim que sei bem o que vos estou a escrever.
  3. Prevenção. Pais prevenidos valem por 1000! Por isso, não saiam de casa sem:
    sacos de plástico, resguardos, 3 ou 4 mudas de roupa (calcinhas ou calções, cuecas, ténis ou sandálias, meias – se for caso disso – e toalhas de bidé (porque são as mais pequeninas e fáceis de arrumar)…
  4. Alegria. Está a ler bem e não, não estou a divagar. É importantíssimo que a coisa seja vivida com alegria e boa disposição tais que eles se sintam sempre contagiados e alegres. Que sintam que mesmo quando fazem xixi pelas pernitas abaixo que o mundo não acaba ali, que não estão a fazer nada de errado.
  5. Atenção. É preciso activar os sentidos todos e estar sempre ou quase sempre a olhar para eles. Procurar nas suas expressões o + pequeno sinal de que está na hora de ir à casa de banho. Insistir (e muito) na frase: “filha, quando quiseres fazer xixi tens de pedir à mamã ou ao papá, está bem?” E ter os olhos constantemente postos neles, nas pernas e no chão.
  6. Descontração. Se molhar, molhou. Se sujar, sujou. Se calhar, calhou.
    E daí não pode – sob pena de estragarmos tudo, como disse anteriormente –  de maneira nenhuma, vir mal ao mundo. Afinal de contas, senhores, é só xixi… quando não é cocó. E o cocó, meus amigos, não acontece assim tantas vezes. Até porque é a última parte que eles passam a dominar. Segundo nos disse o pediatra da Nonô, é muito frequente que eles fiquem até alguns dias sem fazer cocó, fruto da contracção dos esfíncteres que faz com que eles se “apertem” para não fazer xixi e acabem por não conseguir fazer cocó durante alguns dias.
  7. Coragem. Não é fácil. De todo. Mas é fazível. Perfeitamente. Afinal de contas nenhum de nós vai para a faculdade a fazer xixi nas cuecas. Certo? Por isso, força! Coragem. Determinação. Perseverança e… boa sorte! Muito boa sorte, porque aqui sim, aqui há muita sorte à mistura.

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Bom, é isto. Tem sido isto. E tem sido impressionante vê-la saltar etapas e… crescer. É absolutamente incrível poder assistir a isto tudo. Não há nada nesta vida que substitua ou que se equipare ao que sinto por poder ver de muito perto a minha filha a crescer, dia após dia, semana após semana, mês após mês.

P.S – Não podia terminar sem vos dizer para aproveitarem cada minuto. Cada hora. Cada dia. Até porque não deixa de ser hilariante olhar para eles a fazer xixi pelas pernas abaixo, a abrirem as pernas muito rapidamente e a levantar a camisolita ligeiramente aflitos, como quem procura uma explicação convincente para o que está a acontecer. Como não deixa de ser igualmente delicioso vê-los a dizer Boa já tá, papá. Não tem mais. Por isto tudo e por tudo mais, que felicidade tamanha é esta a de sermos pais.

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