“Quem manda é a Nonô!”

Exacto…!
Pasme-se mas foi isto mesmo que a pequena imperatriz cá do burgo resolveu atirar – com todas as letrinhas que cabem nesta prodigiosa frase – à chegada a casa, depois de 1 semana de férias na Figueira da Foz! Parece então que, na sua linda e extremamente inventiva cabecinha, a partir de agora, quem manda aqui é a Nonô. Sem tirar nem pôr.

Confesso-vos que isto é coisa que faz imediatamente crescer as garras de um pai e de uma mãe com algum cansaço no lombo. Garras no sentido territorial da coisa, animalesco, mesmo, a roçar o primitivo e o acéfalo, que é como quem quer dizer que a primeira coisa que respondeu à pobre coitada da filha de 2 anos foi: quem manda aqui é o pai… e a mãe! Ahhhh, esperem, antes disso ainda me saiu um: NUNCA! Era o que mais me faltava agora a querer mandar nisto tudo…

Sim, Martim. Ela quer MESMO mandar nisto tudo!
Está, como é fácil de imaginar, desejosa de te roubar o comando da TV, o iPhone, a Bimby, o chuveiro, os livros e os ténis!!

Não consigo encontrar explicação lógica para a atitude felina – ser do signo Leão também pode contribuir para o complicar da coisa – que não passe perto de uma preocupação constante e real com as regras, com a compreensão daquilo e daquele que é o seu lugar no nosso mundo, mesmo que para isso seja preciso soltar alguns laivos de uma certa boçalidade veraneante vestida de pólo, calções e ténis (sim, batam-me, sou de Lisboa) New Balance!

Claro que a explicação que lhe dei surtiu tanto efeito como surtem os pedidos para que se lembre de dizer que quer fazer xixi… antes de estar a olhar para a poça que acabou de deixar no chão… tanto mais que no dia seguinte o “Quem manda é a Nonô” já se tinha estendido à Sala, à Cozinha, ao nosso quarto, ao carro da mãe… neste momento é tudo dela, que a menina não faz a coisa por menos.

“É minha! É meu!” são as suas combinações de palavras predilectas.
Enfim. Não há grande coisa a fazer. Nem creio tão pouco que surta grande efeito numa criança de 2 anos e 3 meses que, pese embora o facto de falar pelos cotovelos, continua a ter 2 anos e 3 meses, e a ser incapaz de perceber muitas das coisas que tantas vezes achamos que ela já percebe, estar com grandes explicações teórico-práticas sobre o quem manda e onde é que manda e porque é que manda. Até porque o Poder, tal como a Influência, não se explica, exerce-se.

Por isso, se estão a passar por esta fase aí em casa, tenham calma, aproveitem-na, divirtam-se, mas não percam o norte.

Eles passam grande parte dos primeiros… digamos… 20 anos… a testar-nos, a tentar aproveitar qualquer nesga de terreno para serem um pouco mais, irem um pouco mais longe, quanto mais não seja para criarem nas suas próprias cabeças uma (por vezes) falsa mas ao mesmo tempo pueril ideia de força, poder, conquista, liberdade, autonomia, independência, rebeldia, distinção e até alguma superioridade.
Tudo para se sentirem mais capazes, mais fortes, mais espertos, mais inteligentes e melhores seres humanos.

Não tem de ser uma coisa má… desde que fique sempre bem presente que… quem manda, somos nós! Certo?

Até breve.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s