Porque é que ficamos tão contentes com coisas “perfeitamente normais”?

Porque é que ficamos – se não ficam, talvez devessem pensar porque é que não ficam – tão felizes com as pequenas – e muitas vezes absolutamente “normais” conquistas dos nossos filhos quando eles são tão pequeninos?
Porque não temos sequer ideia do quão difícil é passar por algumas das coisas que eles passam e que para o nosso cérebro não têm sequer a menor das importâncias, mas que na vida deles são etapas queimadas e aprendizagens que vão ajudar a estruturar a sua personalidade, o seu carácter, a sua inteligência emocional.
 Querem um exemplo? Aqui vai.
Há umas semanas fomos à habitual consulta de rotina no pediatra.
A Ana foi falando, uns dias antes, desta mesmíssima consulta, para que ela se fosse consciencializando da existência da mesma.
AgoraNosOsTres_Pediatra
Ela gosta do médico. Fala dele simpaticamente, há já largos meses, mas, como qualquer pequenota com pouco mais de 2 anos – e a última visita tinha sido no dia 4 de julho, dia do nosso 3º aniversário – tem medo daquela bata branca que representa, ou melhor, representou, até aqui, quase sempre, desconforto, dor, estranheza, vergonha e temor.
Coisa normal.

Igualmente normal é também o tempo de espera, nunca inferior a 1h30 😓…  num dos mais populares e requisitados hospitais privados de Lisboa. Mas isso são contas de outro Rosário.

O pior não é para os adultos, mas sim para os pequeninos… é tempo a mais para uma criança de 2 anos estar enfiada num corredor de um hospital (ainda que seja moderno e os sofás maravilhosos) durante quase 2 horas.

Por mais criativos que sejamos, ao fim de 1 hora esgotam-se as ideias 😱 e ela fica compreensivelmente enfadada.

Mas a razão que me levou a escrever este texto prende-se com as conquistas que podem parecer mínimas, mas não são. De todo.

Voltando então ao relato fiel do que se passou, desta última vez a Leonor entrou na sala de forma diferente, pé ante pé, com o seu coelhinho cor de rosa na mão e a outra mão na minha. ❤️

AgoraNosOsTres_Pediatra2

O médico 👨🏻‍⚕️ é de uma simpatia, serenidade, amabilidade e carinho para com as crianças verdadeiramente assinaláveis. E, pasme-se, isso resulta! Por completo!
É um trabalho que já tem 2 anos e que está a dar os seus frutos. Ele respeita-as, ao seu espaço, ao seu tempo, aos medos e choros, aos gritos e… mais choros.

A Leonor perdeu-lhe o medo e hoje interage com ele de forma muito bonita.
Então não é que desta vez entrou na sala, de mão dada comigo, e foi mesmo entregar-lhe o coelhinho 🐇 assim que entrou, porque ele assim lho pediu?! Sem mais nem menos…

Para além disso, o que importa salientar é que, pela primeira vez, a Leonor chorou apenas uma vez enquanto foi observada. E esta, caríssimos, esta é a verdadeira história de superação deste dia!

Aos 2 anos somos capazes de vencer medos enormes! Coisas que aos olhos dos adultos parecem pífias e insignificantes mas que não são. Não são mesmo.

Somos capazes de aprender a dormir sozinhos. De comer sozinhos. De subir e descer escadas. De andar de carro. De ouvir o aspirador a trabalhar, a máquina a lavar, os carros a apitar, os aviões a descolar, de parar de chorar, de aprender a gostar, a respeitar, a valorizar e de saber parar.

Devidamente apoiados, conquistamos o mundo 🌍!

Se tivermos confiança e apoio – que pode simplesmente morar nos olhos da mãe e nas mãos do pai; nos abraços dos avós e dos tios – somos capazes de vencer medos até ali inultrapassáveis.

Somos assim capazes de começar a construir o nosso próprio círculo relacional, com base em relações de confiança mútua, de entrega, de verdade e sinceridade. Somos capazes de aprender a respeitar ao mesmo tempo que nos formos sentindo respeitados.

E isto, meus amigos, isto é tremendo, é enorme, é assinalável e deve ser assinalado. Não é, ao contrário do que se possa pensar, coisa de somenos. Nada disso. É grande. É enorme. É muito bonito e é de deixar um pai feliz.
Orgulhoso da sua cria e das suas conquistas pequenas para o resto do mundo mas que nos enchem o coração de uma alegria transbordante, de uma confiança crescente naquilo que estamos a fazer e na forma como estamos a ajudar os nossos filhos a crescer.

Por isso, a mensagem que vos deixo é apenas uma: olhem para eles, prestem-lhes atenção. Prestem-lhes atenção mesmo sobretudo quando eles não percebem que vocês lhes estão a prestar atenção, porque é em cada um desses momentos que conseguimos ver melhor e… caramba, é tão bom ter tempo para olhar assim para eles e perceber-lhes nos olhares, nos gestos, nas brincadeiras, nas birras, nas interacções, que estão a crescer saudáveis, felizes, confiantes, com a força de carácter suficiente para ultrapassar estas barreiras ENORMES que a vida lhes coloca e onde nós temos de tentar não intervir, pensando que estamos, assim, ali ao lado, a ajudar da melhor forma possível: sendo o amparo que eles precisam, mas não sendo o escudo que os protege de tudo e mais alguma coisa.

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