3 conselhos úteis para contar histórias aos pequenotes

Porque é que contamos histórias aos nossos filhos?
A resposta é fácil mas vou tentar que se torne mesmo muito fácil de perceber porquê.

Os porquês de gostarmos, nós, os Homens, tanto de histórias:

  1. Porque sabemos bem o quanto gostávamos (quando éramos nós os pequenotes) e gostamos de ouvir histórias;
  2. A brincar, a brincar, as histórias fazem parte do nosso imaginário. De muitas das nossas memórias mais felizes. Da história da nossa vida, para não dizer que povoam toda a nossa existência;
  3. Porque sabemos o quão boas e eficazes elas conseguem ser, sobretudo na transmissão de valores, de ideias e até de coisas que queremos que eles percebam e apreendam;
  4. Porque são elementos que servem na perfeição a estimulação do imaginário das crianças;
  5. Porque ajudam a desenvolver o cérebro;
  6. Porque são aliados incríveis no desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças;
  7. Porque os fazem sonhar… e poucas coisas na vida têm o poder e a força mobilizadora de um sonho.

Para além de tudo isto, é-nos muito fácil perceber que eles adoram histórias, que estas os ajudam a aprender e que se começam a identificar com as emoções (reais) que as histórias lhes transmitem.

Não poucas vezes encontramos histórias com personagens que passam por momentos de tristeza, de dor, de sofrimento, de alegria, de felicidade, de surpresa, de medo, de temor e de superação… entre tantas outras. Isto chega para que elas se colem às mesmas.
Basta ouvir-lhes o silêncio.
Basta perceber-lhes o olhar atento que perscruta cada palavrinha, cada inflexão na voz quando mudamos de personagem, cada pausa, cada virar de página.
Tudo isto se torna parte do seu mundo. Tudo isto passa a fazer parte de mais uma significância de felicidade nas suas vidas. E não é preciso sermos todos Shakespeares e inventarmos histórias todos os dias.

Por vezes, tudo o que é preciso é vontade, paciência e… AMOR. Estando tudo isto presente dentro da panela, a garantia de que a sopa vai sair lindamente é quase certa.
Este é o conselho nº1. Paciência e amor!
Não partam para o momento da história com cara de frete, sem vontade, e a querer despachá-los para os enfiar na cama. Vai correr mal!

Cá em casa fazemos assim:

Com quase 2 anos e meio a Leonor adora, ama histórias e livros – ou não fosse filha de quem é.
E isto é de tal forma verdade que ela já interiorizou a rotina das noites de tal maneira que a antecipa por completo.
Sabe perfeitamente que quando saímos da cozinha e entramos no corredor, depois do jantar, é porque se vai dar início à seguinte sequência:

  • lavar os dentes;
  • lavar mãos e boca;
  • limpar as mãos e a boca;
  • trocar a fralda;
  • correr para o quarto para escolher a história;
  • ouvir a história – e isto claramente merece umas quantas linhas mais abaixo neste texto;
  • limpar os pés – esta parte era mais comum durante o Verão, altura em que a senhora deixa de gostar de sapatos assim que entra em casa;
  • dar beijinho de boa noite aos pais;
  • pedir para ir para a caminha;
  • deitar e dormir.

Conselho nº2Repetição

Não há como fugir à rotina. E ainda bem que assim é e que assim conseguimos que seja.
É uma das coisas mais importantes na vida destas crianças tão pequenas, a repetição das rotinas diárias que lhes fornecem ao pensamento e à vida estrutura, lógica, sentido, entre tantas outras coisas.

Mas o que quero mesmo destacar é o efeito prático da insistência nesta parte da rotina diária.
A Leonor é uma criança muito atenta e interessada por tudo o que a rodeia. É assim desde que nasceu. Claro que nós fomos contribuindo activamente para que assim seja, mas parte deste interesse e desta natural curiosidade pelo mundo é dela, já nasceu com ela, não lhe enfiámos estas ideias na cabeça.

Naturalmente que ela me vê a ler livros desde que nasceu. Livros, jornais, revistas. Tudo. O pai gosta de ler tudo o que apanha pela frente.

E o que ela faz com os livros reflecte isto mesmo.
A Leonor adora repetir histórias durante dias e dias a fio.
Se lhe perguntarmos qual é a história que ela vai querer ler/ouvir hoje, ela vai escolher exactamente a mesma que leu ontem e anteontem. E é bom que assim seja. É bom porque uma das principais características de uma boa história é levar ao desejo de a ouvirmos novamente, sobretudo se somos crianças a formar imagens e conceitos de tudo o que nos rodeia. E é igualmente fundamental que os pais ou os adultos de referência percebam isto e não se zanguem com eles porque estão a escolher sempre a mesma história.

A Leonor vê-me com o mesmo livro durante semanas a fio. Se eu leio o mesmo todos os dias, porque não há-de ela poder ler a mesma história todos os dias? Pois.

Até um puzzle serve para contar uma história

Conselho nº3 – Criatividade e imaginação

O último conselho é o mais simples, mas que pode, para muita boa gente, significar uma monstruosidade medonha: criatividade e imaginação.

Sejam criativos na forma como lhes contam as histórias.
Não basta ler a coisa com um tom monocórdico de quem está a ler uma passagem bíblica no altar de uma funesta igreja a um sábado à tarde. Nada disso. Procurem tornar aquele momento especial desde o início.
Se é para lerem/contarem uma história façam-no com alegria, com mudanças no tom de voz quando saltam de personagem em personagem; recriem sons de animais, de viaturas, da chuva, da neve, do vento, do mar; criem sotaques, arranjem formas de falar diferentes, a vossa imaginação ditará as regras e as invenções que quiserem.
Tudo é possível. Literalmente tudo! Porquê? Porque só ali estão vocês. Porque não há ninguém a ver. Porque a vergonha fica atrás da porta da rua. E porque podem ficar com uma garantia irrefutável:
– estão a contribuir activamente para que o imaginário dos vossos filhos seja cada vez mais rico;
– estão a dar-lhes material incrível que vai ser posteriormente usado nos… sonhos!
– estão a dar-lhes a felicidade de terem em casa uma pessoa que adora e vibra com o simples facto de contar uma história;
– estão, também vocês, a guardar para o final do dia um momento de partilha e de união incríveis num sítio que é confortável e seguro para as vossas crianças e que vos permitirá também relaxar e sossegar depois de um dia de trabalho que, regra geral, em particular nos dias que vivemos, são quase sempre extremamente cansativos.

Recapitulando, os três conselhos úteis são simples e fáceis de memorizar:

  1. Paciência e Amor;
  2. Repetição;
  3. Criatividade e imaginação.

Força e que as histórias vos encham de alegria e de amor.
Não faz sentido ser de outra maneira.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s