Os pais também têm direito a sair à noite

Voltámos a conseguir ter uma noite só para os dois e soube mesmo muito bem. 
Aliás, cada vez vai sabendo melhor. 
Ainda pensámos em ir ao cinema para ver o “A Star is Born”, mas a chuva e a vontade de fazer qualquer coisa diferente e com um pouco mais de substância acabaram por nos afastar da sala de cinema para nos levar para outro tipo de sala, a sala de um restaurante no coração da Baixa de Lisboa. 

Sim, os pais também têm direito a sair à noite. 

Não fomos sozinhos. Não. O que faz do título deste texto uma coisa ligeiramente enganadora. Éramos quatro. E que bom que é quando assim é.
Éramos quatro mas nem por isso deixámos de ter uma noite incrivelmente divertida e cheia de gargalhadas, de conversa boa, de partilha, de diversão e de deambulações pelas ruas do Bairro Alto e de São Bento.

Apetecia-nos verdadeiramente um programa com amigos e nisto de programas à última da hora e completamente inesperados, felizmente, temos quase sempre o par perfeito.
O Rogério e a Sofia, pois claro.
Nunca – ou raramente – dizem que não e são uma companhia incrível, para além de serem amigos muito especiais, parte da família que escolhemos e que fazemos questão de manter na nossa vida.

Fomos a uma hamburgueria que não conhecíamos – o que de resto, nas saídas com o Rogério e com a Sofia é frequente – e adorámos.

Mas a coisa começou tremida. Porquê? Porque a ideia era jantar num restaurante novo, perto do Príncipe Real, que não só não aceita reservas como tinha 1 hora de fila de espera, numa noite Sábado e de chuva em Lisboa.

Rapidamente resolvemos sair dali e ir à procura de uma alternativa.
Descemos o bairro alto através de uma das suas artérias principais e o prazer que isso nos trouxe foi incrível.
Há anos que não o fazíamos.
Espreitámos o Clandestino… cheio!
Continuámos a descer até Chiado e acabámos por aterrar no “To Burger or not to Burger” e a experiência foi óptima. Mesmo.
Óptimas entradas. Óptima sangria. Hambúrgueres de sonho. Conversa da boa, cumplicidade como sempre, e no final um passeio a pé, sem grande destino, sem qualquer pressa, só pelo prazer de caminhar e conversar, tendo pelo meio uma paragem pela histórica e incontornável Livraria Sá da Costa.

A Ana e o Rogério ficaram a conversar à porta e eu e a Sofia entrámos pela Livraria adentro e deixámo-nos guiar pela curiosidade que move quem se perde no meio de tanto livro, no meio de tanta história,

Saídos dali, já com um livro na mão – se eu conseguisse entrar num sítio daqueles sem trazer um livro comigo, cairia um santo do altar – fomos andando em direcção ao São Bento e ao mítico e lendário Fox Trot.

A caminhada foi muito boa.
Lisboa a pé tem de facto um encanto difícil de descrever. Difícil de contar. E, bolas, acabo de me aperceber que durante toda a noite quase não falámos sobre a Leonor. Isto revela bem o quanto nos estávamos a divertir e o quão importante é para um casal, com filhos, permitir-se a si mesmo este tipo de escapadelas, este tipo de momentos a dois (com ou sem amigos), este tipo de liberdade, este tipo de separação da nossa filha, do centro da nossa existência, da nossa preocupação, do nosso viver, da nossa felicidade.

Cada vez tenho mais a certeza da importância quase vital de fazer isto.
De nos permitirmos a esta re-descoberta enquanto casal, enquanto namorados, enquanto parceiros e companheiros, enquanto casal.

Acabámos por acabar a noite em casa do Rogério e da Sofia, com uma garrafa de vinho aberta e mais conversa da boa.

O Rogério vai esta semana, em trabalho, para aquele que já foi um dos países mais pobres do mundo. A Etiópia. E esse foi o mote para um jantar de família. Porque é isso mesmo que somos. Uma família onde gostamos muito uns dos outros. Onde eles gostam muito de nos receber, e vice-versa, com e sem Nonô, mas sempre com muito, muito, muito amor.

E isto, meus amigos, isto é impagável. É mesmo. A vila vale tanto a pena.

E no dia seguinte pudemos dormir até às 10:00… isso mesmo, até às 10:00!!!

Por isso, o conselho que temos para os papás de crianças pequenas como a Nonô é o de se levarem menos a sério e aproveitarem as pequenas oportunidades para se divertirem. Com ou sem os amigos. Mas juntos!

 

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