Quando eles ficam doentes, nós encolhemos

Felizmente, neste campo, temos sorte, muita sorte.
A Leonor é uma bebé que não fica doente muitas vezes.
Talvez por isso seja tão estranho vê-la assim. Doente.
(Pensando bem, é melhor não dizer isto muitas vezes…)

Quando a vejo doente, febril, prostrada, sem querer brincar, sem falar, a gemer, a chorar com a vontade irreprimível de quem está triste, a lamentar-se e a lamuriar-se, pedindo tão somente o colo do pai ou da mãe, encolho.

Mas é que encolho de verdade.
Sinto o corpo a comprimir-se-me e a alma a por-se-me de cócoras, expectante, mas torcida, amarfanhada e impiedosamente atacada no seu pleno. Sem dó, nem qualquer tipo de contemplações. Assim. A cru.

Afinal de contas, é parte de mim (literalmente) que ali está a sofrer, sem que eu consiga fazer mais do que levá-la ao médico, dar-lhe colo, mimo, atenção, carinho, amor. Enfim.

É ver sofrer o(s) ser(es) humano(s) que mais amamos na face do planeta e ter de ficar praticamente de braços cruzados, ou neste caso, de braços abertos, para lhes oferecer a única coisa que temos e que sim, tem alguma influência na hora de começar a melhorar.

Doses extra de amor que fazem milagres

“Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a.”

Johann Goethe

Acredito plenamente que é assim mesmo.
Que nestas alturas, quando o máximo que podemos fazer é isto mesmo, entregar-lhes doses extra de amor e carinho, de paciência, de tempo, tudo isso contribui activamente para que a coisa lhes seja menos custosa e que passe mais depressa.
Acreditamos nós e acreditam eles, que nesses dias parecem pequenas grandes lapas que não nos largam o colo nem por nada.

É como se o nosso colo, o nosso encosto, o nosso respirar, o bater do nosso coração, as nossas mãos, os abraços, as festinhas e os beijinhos fossem, na sua global globalidade, a mais perfeita das recompensas, a única recompensa possível, aliás.

Nonô no Hospital_Agora Nós Os Três

Claro que às vezes custa.
Claro que é, por vezes, inconveniente, porque temos tanta e tanta e tanta coisa para fazer. Uma vida para viver. Um trabalho para tentar fazer…
mas sabe tão incrivelmente bem ter nos braços um ser humano que nos olha como se fôssemos uma espécie de divindade que só a eles se dedica e só a eles os protege. Que está ali para lhes dar todo o tempo do mundo, para atender a todos os seus pedidos, para pegar nas suas dores e maleitas e as levar para bem longe, para o lugar do mundo onde vivem e perecem todas as maleitas e maldades sofridas pelas crianças.

Acredito mesmo que a dor se atenue e que pareça até desaparecer no meio dos braços compridos e do tronco largo do pai, ou do aconchego perfeito e de medidas certas do inconfundível e insubstituível colo da mãe.
Acredito e lembro-me que comigo era assim.
Até em adulto… pouco ou nada substitui o colo da mãe. Certo?

Claro que Mãe é Mãe

Claro que ela gosta mais da mãe do que gosta do pai.
É a verdade, meus caros senhores, as Mães são incrivelmente perfeitas.
As mães são o tudo e mais qualquer coisa ainda.
Não querendo com isto dizer, obviamente, que nos cabe a nós o papel de coadjuvantes desta “brincadeira” toda, nada disso.
Simplesmente há que reconhecer e saber ver as coisas como elas são. 

Passeio de família_Agora Nós os TrÊs. Mãe e Filha

Creio que ninguém – ou quase ninguém, vá – me poderá contrariar quando digo que é aos pais que cabe o papel de heróis de toda a história.
De baluartes da bravura, da coragem e das brincadeiras mais arriscadas; dos saltos, dos voos, das corridas, das macacadas no chão, da roupa suja, das nódoas de sopa, das palhaçadas, de tudo aquilo que não se deve fazer ou que é mais arriscado e perigoso… mas que eles fazem na mesma.

Nota: passei os últimos 2 meses a tirar da cabeça da Leonor que andar às minhas cavalitas significava dar cabeçadas na ombreira da porta da sala. Porquê? Porque aconteceu uma vez… e ela nunca mais esquecia aquilo.
Raça da miúda que tem uma memória do catano e ainda agora tem 2 anos e meio. A memória das mulheres devia ser eleita Património Imaterial da 
Humanidade pela UNESCO. Só porque sim.

E depois, os pais são os defensores mais terríveis dos filhos!! Sobretudo nas situações desagradáveis e tão frequentes como as opiniões sobre tudo o que fazemos, sobre o facto de ainda usar chucha, de ainda usar fralda, de não falar com estranhos,  de correr, de saltar, de brincar, de rir alto, de ser criança. Sim, porque há muita gente que se incomoda com o facto de as crianças terem essa terrível mania que é a de quererem ser… crianças. Vejam bem… se isto cabe na cabeça de alguém. Modernices, é o que é.

Uma coisa é certa, sabe tão bem quando ela diz:
“Não, mamã. Eu quero o meu papá!” =)

No entanto, posso garantir que as imagens que vou gravando na memória, da ternura que une mãe e filha, fazem já parte das imagens mais ternurentas que alguma vez vi em toda a minha vida.

Mãe é Mãe.
E nem preciso sequer de me alongar em considerações incríveis e românticas carregadas de sentimento sobre a incomparável e inigualável força de uma Mãe.

A coisa não dá mostras de se tornar mais fácil com o passar dos anos, por isso, o meu conselho mais honesto e sincero é este: aprendam a lidar com isto, com as pressões que sofrem nos vossos empregos quando eles adoecem e têm de faltar, com as más línguas, com as bocas… mas sobretudo, aprendam rapidamente a perceber que nestas alturas os filhos precisam dos pais. Não é dos avós, nem das educadoras, nem da prima, da tia, do tio, do irmão, ou seja lá de quem for que vos possa passar pela cabeça.

Eles precisam dos pais – ou das pessoas que têm esse papel nas suas vidas – para se sentirem na plenitude do conforto possível, para se sentirem protegidos, amados, acarinhados, seguros.

Por isso, da próxima vez que a vossa criança adoecer, lembrem-se aqui do Martimzinho e destes conselhos pouco sábios mas muito sinceros e com resultados comprovados. Sim?

Que 2019 vos traga tudo aquilo que querem alcançar, aquilo com que sonham, mas que vos permita manter os pés bem assentes na terra. Sempre. Na era em que vivemos é fundamental termos os pés no chão, pois é tão fácil perder a noção das coisas que chega a ser assustador.

A família Maltez Mariano deseja-vos um 2019 cheio de tudo o que é bom.

 

 

 

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