Menino veste bom senso. E menina também! (um texto de Eduardo Sá)

O texto que se segue é tão bom, tão bom, tão bom que tivemos mesmo de o “roubar” para o partilharmos consigo. Fala sobre meninos, meninas, azul, rosa e… bom senso… ou a falta dele.

De facto, há males nas sociedades que têm de ser erradicados de alguma forma, começando desde logo pela desigualdade de género, um dos mais perigosos estigmas que continua a imperar entre as crianças, ou melhor, entre muitos adultos que se relacionam com crianças.

O caso mais recente surgiu no Brasil, onde a recém empossada ministra brasileira da Mulher, Família e Direitos Humanos resolveu dizer que “menino veste azul, menina veste rosa”.

A propósito disso, o psicólogo Eduardo Sá escreveu um magnífico texto que agora aqui repartilhamos, para que mais pessoas possam ler estas palavras escritas com tanto sentido e do qual destaco a seguinte citação:

“Porque por mais que sejam diferentes, é a forma como lhes “vestimos” a cabeça que as estraga!

Por mais que sejam diferentes…

“O mundo está, tragicamente, a ficar menos amigo do bom senso.
Se há pontos de vista sobre a identidade de género que levam a que, por vezes, quase pareça que ser-se menino ou menina é uma discriminação sexual da própria Natureza, uma nova ministra brasileira reclamou – confundindo princípios e slogans – que “os meninos vestem azul e as meninas vestem rosa”.

É claro que os meninos e as meninas são diferentes; sim!
E que não brincam da mesma maneira. Acabam por pensar de modos diferentes. E se expressam de formas muito distintas.

Os meninos dão-se mais vezes mal com a escola e abandonam o ensino de forma mais prematura. E as raparigas não amam, “regra geral”, a matemática e as ciências. E é verdade que os pais esperam mais vezes que os rapazes tenham um emprego científico que as raparigas.

Já agora, é também verdade que os rapazes têm o cérebro maior do que o das as raparigas. E embora sobressaiam mais nos testes de QI e pareçam ter um maior desenvolvimento cerebral das áreas ligadas ao processamento mecânico-espacial e sejam mais irrequietos, é verdade que as raparigas têm mais ligações entre os dois hemisférios cerebrais, o que as torna mais aptas para o “sexto sentido” e para terem mais capacidade para realizarem várias tarefas ao mesmo tempo.

Por outro lado, os cérebros masculinos têm um fluxo sanguíneo maior mas entram com mais frequência no estado de repouso, embora sejam mais impulsivos do que os cérebros femininos.

E embora eles tenham melhores desempenhos nas actividades físicas têm menos esperança de vida…

Os rapazes serão mais “hipocondríacos”, mais sensíveis ao stress, mais “fogosos” e mais narcísicos do que as raparigas.
As raparigas mais intuitivas e mais sociáveis.

E, quando crescem, raparigas e rapazes têm prioridades muito diferentes. Embora, feitas as contas, 80% dos rapazes e da raparigas partilhem mais de 75% das características de uns e de outros.

As meninas e os meninos não são iguais. Ponto final!

Mas faz sentido que as meninos vistam de rosa e os meninos de azul? Claro que não! Aliás, não será esta ideia deliberadamente perigosa, uma vez que, em nome das diferenças individuais dos meninos e das meninas, parece querer-se que uns e outras não sejam senão, sempre e só azul ou rosa (ou meninos e meninas)? Como se a identidade fosse um produto da biologia, sem espaço para escolhas pessoais, amorosas e sexuais, e sem espaço para a singularidade humana.

Mas será que por serem ou meninos ou meninas as crianças não devem ter educação, oportunidades e expectativas iguais? Mas desde quando é que a igualdade e a equidade significam a mesma coisa?

Não fiquem, por favor, preocupados com aquilo que as crianças vestem. Fiquem, isso sim, com o modo como são educadas.
E como pensam.

Porque por mais que sejam diferentes, é a forma como lhes “vestimos” a cabeça que as estraga!

Parece-nos que vale bem a pena pensar nisto e fazer uma reflexão profunda sobre este assunto. Obrigado, Eduardo Sá. Muito obrigado!

E aproveitem para dar uma olhadela sobre o texto anterior, onde falamos sobre a importância da brincadeira na vida de uma criança.

Até breve.

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